Barreiro: Daniel Bernardino critica ausência de políticas de habitação

06 de julho 2021 - 23:11

Daniel Bernardino defendeu que as políticas no concelho “têm de seguir um rumo diferente” e lamentou que o PS não tenha dado resposta à crise da habitação. O candidato à Câmara referiu que o Bloco “quer mudar a correlação de forças à esquerda” no concelho.

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Daniel Bernardino.
Daniel Bernardino na apresentação da lista do Bloco à autarquia do Barreiro. Foto de Miguel Filipe.

Ao apresentar a lista do Bloco pelo Barreiro, a mandatária da candidatura, Jorgete Teixeira, afirmou acreditar que “uma presença mais forte do Bloco pode fazer a diferença na transformação do Barreiro numa cidade onde se viva feliz e com dignidade, onde a saúde abranja todos os cidadãos, onde cada vez mais se aposte numa cidadania viva, ativa, consciente”.

“Acredito que os nossos eleitos sejam capazes de lutar por uma cidade onde exista a equidade, contra discriminações e preconceitos, onde se preserve a memória do passado marítimo, ferroviário e industrial, onde se invista na recuperação do património histórico e que não adultere a essência dos edifícios - como parece vir a acontecer com o moinhos de maré -, que aposte nos transportes acessíveis e apoie a cultura e o desporto, onde se preste especial atenção aos problemas sociais agudizados pela crise económica, onde se apoiem sectores e grupos mais vulneráveis”, realçou.

“Uma luta pela vida das pessoas em todas as causas sociais”

Daniel Bernardino nasceu no Barreiro e é neste concelho que vive. O candidato trabalha em Palmela, no parque industrial Autoeuropa, desde 1994, e foi neste parque industrial que sempre esteve e continua a estar na luta e defesa dos trabalhadores. Foi dirigente sindical, é coordenador da comissão de trabalhadores de uma das empresas mais influentes no complexo industrial, a Faurecia, e membro da coordenadora das comissões de trabalhadores do parque industrial. Foi membro do conselho europeu da empresa e atualmente integra o conselho de administração em representação dos trabalhadores.

“Tem sido uma vida dedicada à luta na defesa dos trabalhadores que não deixou de ser uma luta também no Bloco de Esquerda pela vida das pessoas em todas as causas sociais. Foi também pela necessidade que senti de trabalhar pela gente da nossa terra que neste concelho reside ou que para cá quer vir residir que aceitei o desafio”, explicou.

O candidato frisou que, com as candidaturas à Câmara, Assembleia Municipal e freguesias do concelho, o Bloco quer “mudar a correlação de forças à esquerda na autarquia”.

“Somos pelo progresso do Barreiro e para isso as políticas têm de seguir um rumo diferente. Não podemos aceitar que o Barreiro não tenha tido nestes últimos quatro anos uma política de habitação”, vincou.

O Bloco quer uma Estratégia Local de Habitação para o Barreiro e ver garantido o direito à habitação através da reabilitação e construção do parque habitacional público, como por exemplo no Bairro Alves Redol. E quer também diminuir o Imposto Municipal sobre os Imóveis (IMI), incentivando os proprietários que recuperem habitações e edifícios degradados e ou devolutos e as jovens famílias que queiram vir residir para o concelho.

As questões ambientais são prioritárias para o Bloco: concluir a revisão do atual PDM (Plano Diretor Municipal) em vigor desde 1994; parar o anunciado atentado ambiental que é o aeroporto do Montijo; recuperar todas as zonas ribeirinhas; investir na criação de mais espaços verdes e de lazer; definir uma política de resíduos que assegure uma cidade limpa e atrativa; promover a utilização de meios de transporte sustentáveis; e acabar com os esgotos que ainda existem a correr para o rio Tejo. Estas foram algumas das propostas apresentadas pelo candidato nesta área.

No que respeita aos Transportes e Mobilidade, também há muito a fazer, como seja tornar gratuitos os passes e títulos de transporte para maiores de 65 anos, estudantes e desempregados; ampliar a rede intermunicipal de transportes públicos e adaptar os horários às necessidades; construir a Terceira Travessia do Tejo e a extensão da linha do Metro Sul do Tejo até ao Barreiro/Moita; assegurar a ligação rodoviária Barreiro/Seixal; construir a ponte pedonal entre o Barreiro e o Seixal e melhorar as ligações fluviais através da Soflusa; defender a acessibilidade e mobilidade inclusiva a edifícios, transportes e espaços públicos.

A defesa dos direitos e garantias dos trabalhadores da autarquia, o combate à precariedade, que passa pela elaboração de uma Estratégia Municipal de Contratação e Apoios Públicos sustentável económica, social e ambientalmente, são outros dos compromissos do Bloco.

Assim como o é a garantia do acesso à Saúde, assegurando médicos/as de família a toda a população residente e reforçando o atendimento administrativo a utentes; criando uma rede pública de apoio à população idosa e um programa municipal de apoio aos cuidadores informais, entre outras medidas.

O programa do Bloco é pontuado pela defesa intransigente dos direitos sociais e humanos, sendo prevista a criação de gabinetes municipais para a igualdade que sejam espaços de informação e valorizem iniciativas promotoras da igualdade de género e do combate às discriminações, nomeadamente ao racismo, LGBTIfobia e xenofobia. A elaboração de planos municipais para a integração de migrantes e dar respostas às pessoas em situação de sem abrigo; a implementação soluções de “Housing First - Casas Primeiro” adequadas e suficientes; e o apoio às vítimas de violência doméstica e de género com a criação de casas abrigo, bem como na procura de emprego e habitação, também são bandeiras do Bloco.

Da lista de propostas da candidatura constam também o apoio à Cultura e Desporto e a defesa e promoção do bem-estar animal.

“Não pode haver nenhum recuo nos Direitos e na Democracia que Abril nos trouxe”

Francisco Alves, candidato à Assembleia Municipal, lembrou que o Barreiro “foi terra plena de resistência e luta contra a exploração e a opressão durante os 48 anos de fascismo” e que “hoje, com 47 anos vividos em Liberdade, somos confrontados com velhas novas ideias que a extrema-direita xenófoba e racista está a recuperar e nos ameaçam com a sua agenda de ódio e medo”.

“Não pode haver nenhum recuo nos Direitos e na Democracia que Abril nos trouxe, e nisso o papel das autarquias é muito importante pela proximidade que tem com a gente de cada Concelho”, vincou o candidato.

Francisco Alves falou sobre o “papel quase invisível que ao longo deste mandato temos desenvolvido, eu e o André Antunes, enquanto eleitos do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal”. “Apresentámos, até ao momento, 50 documentos entre recomendações, moções, votos de pesar e votos de protesto”, assinalou.

O deputado municipal referiu-se a algumas propostas que foram aprovadas: “remoção total e definitiva do amianto das escolas do Barreiro”; “implementação de um programa municipal de apoio aos cuidados informais”; “atribuição automática da Tarifa Social da Água” “regulamentação e implementação do Suplemento de Insalubridade Penosidade e Risco na Administração Local”.

Em causa estão questões “que mexem verdadeiramente na vida das pessoas se forem concretizadas pelo poder executivo na Câmara Municipal”, realçou.

Francisco Alves reforçou que o Bloco, “desde praticamente o início do mandato”, levanta “a questão da política social de habitação, a que o executivo do PS até hoje não deu resposta”. “O PS esteve quatro anos de ausente desta problemática”, lamentou.

O mandato do Bloco foi ainda marcado pela luta contra o Aeroporto do Montijo e o “elefante no meio da sala, chamado Quinta do Braamcamp, onde um promotor imobiliário, a Saint Germain, pretende construir 125 fogos e uma unidade hoteleira com 178 camas nos terrenos da Quinta”.

“O Barreiro precisa de mais qualidade de vida e para isso a criação de mais emprego, o respeito pelo ambiente e uma melhor mobilidade no Concelho e sobretudo entre os concelhos do Arco Ribeirinho Sul são fundamentais para darmos passos nesse sentido. Podem contar com o Bloco de Esquerda para este combate”, rematou Francisco Alves.

Há quem confunda “especulação com desenvolvimento”

A iniciativa contou também com a participação de Joana Mortágua, deputada eleita pelo distrito, e Catarina Martins, coordenadora nacional do Bloco.

Joana apontou que os candidatos do Bloco à Câmara e à Assembleia Municipal do Barreiro são “dois homens de trabalho”: “Quem melhor para compreender a importância da preservação ambiental e de transição industrial energética, que garanta trabalho no futuro?”, questionou.

A deputada fez referência ao valor inestimável da frente ribeirinha, em termos de valor ambiental e qualidade de vida, e lamentou que se continue a invadir este espaço com mais betão e construção nova. Joana Mortágua falou sobre a Quinta do Braamcamp, afirmando que há quem confunda “especulação com desenvolvimento”.

Catarina Martins também deu ênfase à questão ambiental, que “determina a nossa ação nas mais variadas intervenções que temos” e destacou que o Bloco é a “força política que tem vindo a dizer que construir melhores comunidades implica ter preocupações ambientais e climáticas no centro”.

A coordenadora do Bloco assinalou que a candidatura no Barreiro reúne “gente de várias gerações”, gerações essas que “não se substituem, acrescentam-se”.