Barragem do Pisão: Geota diz que pode ser “buraco de consequências sem retorno”

25 de agosto 2021 - 20:00

Ambientalistas denunciam que governo avança com um projeto que remonta aos anos 1940 sem estudo de impacte ambiental nem consulta pública. E afirmam que estes empreendimentos só beneficiam os grandes interesses.

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Pisão. Foto de Município do Crato.
Pisão. Foto de Município do Crato.

O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) lançou esta terça-feira um comunicado em que acusa o governo de querer avançar com o Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato, projeto conhecido como a barragem do Pisão, “sem terem sido estudadas todas as alternativas e consequências”. A concretizar-se, avisam, poderá ser “um buraco de consequências sem retorno”.

O Geota quer que o projeto, que beneficiará de um financiamento de 120 milhões de euros apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, seja divulgado e acusa o governo de falta de transparência, dizendo ainda a este propósito que “não compreende que se ignore a legislação existente”.

Os ambientalistas defendem a necessidade de uma avaliação ambiental estratégica que até ao momento não existiu. Esta barragem é um projeto original dos anos 1940 “que, até à data, não foi alvo de estudo de impacte ambiental, nem de um processo de consulta pública”.

A ser concretizada, a barragem inundará dez mil hectares, incluindo a aldeia do Pisão. Foi-lhes prometido que “a população da região beneficiará com o desenvolvimento das atividades agrícola, agroalimentar e turística” mas Catarina Miranda, coordenadora do projeto Rios Livres, do Geota, diz que estas promessas são uma “nuvem de fumo” e que se seguirá o caminho do Alqueva. Neste caso, quase duas décadas depois, a população “já não tem o dinheiro das indemnizações, continua sem terras, sem emprego e muitos já partiram da região”.

Estes investimentos, diz a dirigente associativa, “beneficiam grandes explorações agrícolas, deixando de parte os produtores locais”. A organização considera que a região do Alentejo e a bacia do Tejo têm sido “alvo de exploração agrícola intensiva” que é “responsável pelo consumo de 75% da água”. Isto provoca “impactos profundos” no solo, na “diminuição” da qualidade da água e na “perda” de biodiversidade e contraria estratégias europeias “como o Green Deal, a estratégia Farm to Fork (do Prado ao Prato), a Diretiva Quadro da Água e a Estratégia Europeia para a Biodiversidade, que apelam à preservação dos ecossistemas e à biodiversidade, alertando para a necessidade de desenvolver sistemas agroalimentares sustentáveis”.