Banco que mais lucra com os swap quer agora indemnização do Estado

04 de setembro 2013 - 16:44

O Santander, entidade bancária com maiores interesses nos contratos swap celebrados com algumas empresas públicas portuguesas, e que não aceitou as condições propostas pelo governo aos bancos privados que têm estado a lucrar milhões com estes contratos, quer agora uma indemnização do Estado pelos danos causados à sua imagem. O banco alega existirem erros no relatório da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

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Foto de Paulete Matos.

A avaliação financeira dos contratos de derivados, da autoria da consultora StormHarbour, que foi incorporada no relatório do ICGP sobre os contratos swap, contém erros, segundo alega o Santander.

O banco dá o exemplo do custo da transação no primeiro dia de vida do contrato com o Metro do Porto que, segundo o documento, “começou desde logo com um valor negativo de cerca de 100 milhões de euros” e que o banco alega ser de 9,5 milhões de euros.

Por este motivo, o maior credor destes contratos especulativos, responsável pela venda de 25 contratos swap a entidades públicas, que, segundo contas avançadas pelo próprio executivo do PSD/CDS-PP, citadas pelo Dinheiro Vivo, representavam, em 2012, perdas potenciais no valor de 1314 milhões de euros - 40% do total de perdas potenciais dos contratos assinados com as empresas do Estado - vem agora exigir uma indemnização pelos danos causados à sua imagem, a ser paga pelo erário público, ou seja, pelos contribuintes.

O Santander Totta já interpôs um processo no Tribunal Administrativo de Lisboa contra o IGCP e o Ministério das Finanças e corre ainda uma ação nos tribunais para obrigar estas entidades a fornecerem os relatórios sobre os swap ao banco.

A entidade bancária liderada por António Vieira Monteiro não aceitou, até à data, as condições que visam minorar as despesas do Estado e que foram propostas pelo governo aos bancos privados que têm estado a lucrar milhões com estes contratos. Os responsáveis pelas negociações são João Moreira Rato, o ex-quadro da Goldman Sachs e Morgan Stanley que hoje lidera a entidade gestora da dívida poruguesa (IGCP) e Maria Luís Albuquerque, a secretária de Estado de Vítor Gaspar que assinou swaps ruinosos na Refer e escapou à remodelação governamental após o escândalo.