A Câmara Municipal de Champlan, governada pela UMP do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, recusou-se a enterrar uma bebê cigana no cemitério da cidade, onde a família vive num acampamento.
O presidente da autarquia, situada num subúrbio a sul de Paris, Christian Leclerc, justificou ao jornal Le Parisien que os espaços livres no cemitério são para ser ocupados por quem paga impostos.
A criança, de cerca de 3 meses de idade, morreu a 26 de dezembro, vítima de síndrome de morte súbita infantil, será enterrada esta segunda-feira numa cidade vizinha, 10 dias após a sua morte.
Richard Trinquier, presidente da autarquia de Wissous, que aceitou a realização do funeral na localidade, disse não ter hesitado “um segundo” e considerou que não providenciar uma sepultura à criança, que acabaria por falecer no hospital, é "humanamente impensável".
A indignação na sociedade francesa não se fez esperar. A associação local de solidariedade Essone, que denunciou publicamente o caso, acusou a autarquia de "racismo, xenofobia e estigmatização".
O secretário de Estado para a Família, Laurence Rossignol, escreveu na sua conta Twitter que a decisão de negar o enterro era uma “humilhação desumana”. O Partido Comunista Francês classificou o incidente como “moral e humanitariamente inaceitável” e Marielle de Sarnez, dirigente do partido centrista Modem, considerou o ato de “injustificável e desumano”.