O Partido da Liberdade (FPÖ) venceu as eleições legislativas na Áustria com 29,1% dos votos, segundo as primeiras estimativas. O partido de extrema-direita fica assim à frente dos conservadores (26,2%) com alguma margem e fica posicionado para liderar a formação de um novo governo. Em terceiro lugar ficaram os sociais-democratas do centro esquerda, com 20,7% dos votos.
A nomeação de Herbert Kickl para chanceler não é dada como garantida, uma vez que o líder do partido de extrema-direita terá de encontrar um parceiro de coligação para alcançar uma maioria na câmara baixa do parlamento.
O FPÖ já reconheceu a vitória e o partido conservador admitiu a derrota, apesar de ter ficado mais próximo da vitória do que as últimas sondagens antes das eleições previam. Tanto os conservadores como os sociais-democratas já confirmaram que não farão coligações com a extrema-direita.
Um partido pró-Putin e anti-imigração
O programa do Partido da Liberdade incorpora medidas contra a imigração, sobretudo a deportação de imigrantes, o controlo de fronteiras e a suspensão do direito de asilo, com o objetivo de obter uma nação mais “homogénea”.
O partido de extrema-direita tem ligação direta ao regime de Putin e apoia o fim das sanções à Russia, criticando a ajuda à Ucrânia. Em 2019, o “escândalo Ibiza” colocou a claro as ligações entre os dirigentes do Partido da Liberdade e a oligarquia russa, num vídeo filmado com câmara oculta onde o então líder do FPÖ discutia com uma suposta sobrinha de um oligarca russo a possibilidade de apoio financeiro ao seu partido em troca da promessa de acesso a contratos públicos.
Em março deste ano, outro escândalo no partido deflagrou: um antigo espião foi detido e acusado de passar informação à Rússia a troco de dinheiro sob a supervisão do então ministro do Interior. Nesse mesmo governo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, do FPÖ, convidou Putin para o seu casamento e pouco tempo depois de abandonar o cargo de ministro aceitou um lugar na administração da petrolífera russa Rosneft.
O FPÖ é inspirado também pelo partido de Viktor Orbán, tendo capitalizado politicamente com a retórica anti-imigração e contra o crime. Herbert Kickl, o líder do partido, fez campanha usando o título de “chanceler do povo”, um título usado sob o Terceiro Reich para designar Adolf Hitler.