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Vice-chanceler da Áustria pede demissão por escândalo de corrupção

A oito dias das eleições europeias, o vice-chanceler e líder do FPÖ (extrema-direita), Heinz-Christian Strache, demitiu-se de todos os cargos na sequência da divulgação de um vídeo comprometedor que o implica num caso de corrupção.
Fotografia: Heinz-Christian Strache, commons.wikipedia
Fotografia: Heinz-Christian Strache, commons.wikipedia

“Apresentei ao chanceler Sebastian Kurz a minha demissão do cargo de vice-chanceler e ele aceitou-a”, afirmou Heinz-Christian Strache numa conferência de imprensa em Viena. Até agora líder do Partido da Liberdade (FPÖ) e número dois no governo, Strache foi surpreendido com a divulgação de um vídeo em que discute a adjudicação de contratos públicos a troco de financiamento partidário.

Ainda não se sabe se o lugar de vice será atribuído a outro dirigente do FPÖ ou se o governo fica sem condições para continuar. Entretanto, o Partido Socialista (SPÖ) já veio considerar que este é o “maior escândalo” dos últimos 50 anos e o partido liberal NEOS considerou “inevitável” a existência de novas eleições.

O “caso Ibiza” surgiu esta sexta-feira à noite, quando os meios de comunicação alemães  Süddeutsche Zeitung e Der Spiegel publicaram um vídeo filmado em câmara oculta há dois anos em que o chefe do FPÖ e outro dirigente, Johan Gudenus, discutem uma proposta com uma mulher que diz ser sobrinha de um oligarca russo, e que a comunicação social tem identificado como sendo Alyona Makarova: a possibilidade de apoio financeiro em troca do acesso aos contratos públicos austríacos. Isto aconteceu meses antes das eleições legislativas. “Vai ficar com todos os contratos públicos obtidos atualmente pela Strabag”, um grupo de construção austríaco, afirmou o líder do FPÖ.

A ideia era que a investidora russa comprasse o tablóide Kronen Zeitung, o mais popular do país, com o objetivo de torná-lo pró-FPÖ. “Vou construir uma paisagem mediática semelhante à de Orbán”, afirmou a mulher. Sobre a hipótese de a redação do Kronen resistir às mudanças, Strachen comentou que “os jornalistas são as maiores prostitutas do planeta”.

Ainda que com as provas à vista, Strache afirma-se vítima de “um ataque político direcionado”, e nega ter cometido um crime, ao mesmo tempo que afirma ter cometido um erro.

Antes de chegar ao poder, em dezembro de 2017, coligado com o ÖVP, o FPÖ assinou um acordo de cooperação com o partido de Vladimir Putin.

Heinz-Christian Strache sucedeu a Jörg Haider como chefe do FPÖ em 2005. Depois de ter frequentado círculos neonazis durante a juventude, tentou suavizar a imagem do FPÖ.

Entretanto, já milhares de austríacos se juntaram em frente a Ballhausplatz, exigindo a demissão do governo.

 

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