"A partir do dia 1 de Julho do próximo ano, os grandes poluidores vão pagar 23 dólares (17,3 euros) por cada tonelada de carbono que enviam para a atmosfera", anunciou Julia Gillard, deixando claro que o objectivo é conseguir chegar a 2020 com um corte anual de 160 milhões de toneladas de emissões de carbono. "É o equivalente a tirar 45 milhões de carros na estrada", explicou a primeira-ministra. Na verdade, representará um corte de 5% nas emissões até 2020, quando os próprios conselheiros do governo para as alterações climáticas recomendavam cortar 25%.
A taxa vai vigorar durante três anos e a partir de 2015 será substituída pelo mecanismo de comércio de emissões. Antecipando as críticas quanto ao custo para os consumidores desta factura ambiental para as grandes empresas poluidoras, Gillard prometeu planos de benefícios fiscais e aumento das pensões e prestações sociais para 9 em cada 10 famílias.
Mas nem todas as empresas poluidoras serão afectadas da mesma forma e o ministro das Alterações Climáticas anunciou mecanismos como licenças de emissão gratuitas para alguns sectores como a indústria do aço ou do alumínio e do papel. "Isso irá proteger estes sectores do impacto da taxa de carbono, ao mesmo tempo que mantemos os incentivos para investimentos em tecnologias limpas que ajudarão ao aumento da competitividade enquanto o mundo caminha para taxar a poluição do carbono", anunciou Greg Combet citado no Adelaide Now.
A primeira-ministra prometeu apoios para salvar empregos nas indústrias afectadas e que parte das receitas da taxa servirão para "financiar com milhares de milhões de dólares o investimento em tecnologias limpas, como a solar, eólica e geotérmica". Tudo somado, diz Gillard, a taxa vai render 75 mil milhões de euros investidos em renováveis nos próximos 40 anos.
A introdução duma taxa de carbono para travar a poluição é um assunto presente no debate político nos últimos anos e propostas nesse sentido já foram chumbadas no parlamento. E antes das eleições do ano passado, a então candidata trabalhista Julia Gillard afastou a possibilidade de vir a propor uma taxa de carbono para a Austrália. Após as eleições que resultaram num empate no parlamento com a coligação conservadora, Gillard foi eleita primeira-ministra graças ao apoio de deputados independentes e do Partido Verde e o tema regressou à agenda.
Mas apesar das calamidades como o gigantesco incêndio de Fevereiro de 2009, que matou 173 pessoas e queimou quase meio milhão de hectares do seu território, o apoio dos australianos a medidas fortes para enfrentar as alterações climáticas tem vindo a esmorecer nas sondagens. A imprensa australiana diz que este aparente divórcio entre a opinião pública – apenas 30% apoia a medida – e o avanço do conhecimento científico – que recomenda medidas mais radicais –, poderá ter custos políticos para os trabalhistas nas próximas eleições.
Dos países mais desenvolvidos, a Austrália é visto como o mais vulnerável às alterações climáticas e é também o que mais polui por habitante: com apenas 22 milhões de habitantes, é responsável por 1,5% das emissões de gases de efeito de estufa no planeta.