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Ativistas internacionais da greve climática apelam ao apoio a Manaus

Treze membros do Fridays For Future (Greve Pelo Clima) defendem em carta aberta que o pedido de socorro por parte do “coração da Amazónia”, cujo sistema de saúde está em colapso face à Covid-19, não pode ser ignorado. Os ativistas acusam ainda o governo brasileiro de ser “ecocida e genocida” e defendem a sua renúncia.
Foto de Fridays For Future Manaus.

Em declarações ao esquerda.net, Bianca de Castro, membro da Greve Climática Estudantil que subscreve a carta aberta assinada por jovens oriundos de Portugal, Suécia, Nova Zelândia, Brasil e Norte da Irlanda, explica que a mensagem chave é que “a justiça climática é justiça social” e que é imperativo garantir a solidariedade internacional para combater a catástrofe que se abate sobre o coração da Amazónia e evitar “um desastre global que nos afeta a todos”.

Na missiva, os 13 ativistas lembram que, perante o colapso do seu sistema de saúde, num momento em que ainda sequer foi atingido o pico da curva da pandemia, as “autoridades públicas do coração da Amazônia emitiram um pedido de socorro ao mundo, que não pode ser ignorado”.

Os jovens, entre os quais Greta Thunberg, exortam os países que já recuperaram os seus sistemas de saúde a evitar “a morte em massa das pessoas da Amazónia”. Na missiva, lembram ainda que o presidente Bolsonaro afirmou que o desmatamento é “cultural” no país e que não vai acabar.

“Isso é o perfil de um governo ecocida e genocida, que coloca o lucro acima de vidas, da natureza e do futuro da humanidade, e que foge quando suas irresponsabilidades e incapacidades são expostas”, escrevem.

Os ativistas climáticos defendem que “um presidente que abandona seu próprio povo” e que “não responde à altura das crises que enfrentamos” deve abandonar o cargo.

Num vídeo divulgado nas redes sociais, os estudantes que tomaram as ruas do mundo em grandes manifestações públicas nos últimos dois anos apelam à preservação do futuro das atuais e das próximas gerações e que não se permita que a população da Amazónia desapareça.

 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Olá novamente líderes mundiais. Ano passado, marchamos pelas ruas do mundo, alertando sobre a emergência climática. Escutamos promessas de um mundo melhor e de uma sociedade mais sustentável. Agora nós voltamos para falar com vocês. Manaus é a capital do estado brasileiro Amazonas, configura-se como Metrópole da Amazônia (junto com Belém do Pará) e é, certamente, o coração da maior floresta tropical do mundo. É uma área quase que remota, com pouca visibilidade nacional. O sistema de saúde de Manaus colapsou, e ainda sequer foi atingido o pico da curva da pandemia. A equipe da prefeitura de Manaus nos denunciou mais de 100 mortes por dia em decorrência do Covid-19, cujo resultado sequer é apurado devido às subnotificações. As autoridades públicas do coração da Amazônia emitiram um pedido de socorro ao mundo, que não pode ser ignorado: os países que já recuperaram seus sistemas de saúde nessa crise, tenham misericórdia, e evitem a morte em massa das pessoas da Amazônia. Manaus pede por respiradores, equipamentos médicos, pessoal qualificado, voluntários. Como todos sabem, a emergência climática é o maior desafio da nossa geração. É um caminho sem volta rumo à extinção de toda a sociedade, de todos os países, de todos os continentes. A morte em massa da população da Amazônia, e ressaltamos, das populações nativas, será uma perda cujas consequências serão globais. Mais do que nunca, o desmatamento avança rapidamente na Amazônia, que logo entrará em fase de não retorno. Esse apelo vem de Abel (@abelfrodrigues), Amália (@amaliagarcez), Anna (@annakernahan_), Aurélie Bray, Bianca (@biancabcastro), Daniel Holanda, Fernanda (@nands_rm), Greta (@gretathunberg), Iann (@iannunesc), Isabelle (@isabelleax_), Janderson (@_sil.ves.tre), João (@joaoduccini) and Valentina (@vavruass) e de todos os outros milhões de jovens ao redor do mundo que desejam um futuro melhor para toda a humanidade. #ClimateStrikeOnline #SOSAmazonia #FazPeloClima

Uma publicação partilhada por Fridays For Future Portugal (@greveclimaticaestudantil) a

 

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