A ativista turca de origem curda Leyla Zana declarou no Parlamento Europeu, em Bruxelas, que o papel das mulheres turcas e curdas estará no centro das mudanças estruturais necessárias na Turquia.
Leila Zana, que recentemente esteve de novo nas prisões turcas devido à repressão das suas atividades pelo respeito dos direitos da população curda no país, participou num debate promovido em conjunto pelas comissões parlamentares dos direitos humanos e direitos das mulheres. A reunião centrou-se na questão da violação dos direitos humanos na Turquia e no desrespeito continuado pelos direitos das mulheres; além disso, esteve em foco a repressão dos direitos da população curda no país, o que torna mais evidente as contradições de fundo que existem entre a realidade na Turquia e o seu envolvimento na desestabilização na Síria alegadamente em defesa dos direitos humanos neste país.
Leila Zana chamou a atenção dos eurodeputados para o facto de um dos principais problemas com que as mulheres se debatem na Turquia é o de a violência masculina continuar a ser um hábito sem que tenha efetiva punição tanto por parte das autoridades políticas como judiciais.
O eurodeputado Mikael Gustafsson, um dos copresidentes da reunião, declarou que "o trabalho de Leila Zana pelos direitos humanos e a igualdade de sexos na Turquia é uma fonte de inspiração". Como homem político e ser humano, disse, "é minha responsabilidade apoiar o seu ativismo mas também o combate dos curdos pelos direitos culturais e linguísticos".
Marie Christine Vergiat, eurodeputada francesa da Esquerda Unitária (GUE/NGL), sublinhou "a coragem extraordinária desta mulher que passou vários anos da sua vida na prisão por ter ousado falar em curdo, a sua língua materna". Esperamos, acrescentou "que o seu apelo às instituições europeias seja ouvido no momento em que a Turquia bate à porta da União".