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Atentados múltiplos lançam caos no coração de Paris

O centro de Paris foi esta sexta feira alvo de, pelo menos, seis ataques simultâneos, que envolveram duas explosões e vários tiroteiros. Cerca de cem pessoas foram feitas reféns. Os media franceses contabilizavam, às 01h15 (hora de Lisboa) de sexta-feira, mais de 120 mortos, a maioria na sala de espetáculos Bataclan. Hollande decreta Estado de emergência e encerra fronteiras. Dirigentes de esquerda condenam atentados cuja autoria, foi, entretanto, assumida pelo Estado Islâmico (EI). Notícia atualizada às 18h51 de 14/11/2015.

Duas explosões próximas do Stade de France, onde, no momento, decorria um jogo amigável entre a seleção francesa e a alemã, levaram à evacuação, de helicóptero, do presidente francês do interior do recinto. Neste ataque faleceu um emigrante português, condutor de um táxi que se encontrava nas imediações do estádio. A informação foi confirmada pelo secretário de Estado das Comunidades.

Simultaneamente, teve lugar um tiroteio no restaurante Le Carillon, que fica exatamente no mesmo bairro da revista Charlie Hebdo. Também o Bar La Belle Equipe e o restaurante Le Petit Cambodge foram palco de tiroteiros. Já no concerto da banda de heavy metal californiana Eagles of Death Metal, no Bataclan, uma icónica sala de espetáculos no centro de Paris, cerca de cem pessoas foram feitas reféns. Foi neste último local que se registou o maior número de vítimas mortais e de feridos.

Às 01h15 (hora de Lisboa), os media franceses já contabilizavam 120 mortos e quase duas centenas de feridos, referindo que estamos perante um “ataque concertado”.

Após a sua evacuação do Stade de France, François Hollande foi conduzido para o ministério do Interior para participar numa reunião de urgência com o primeiro ministro Manuel Valls e os restantes membros do executivo. No final do encontro, Hollande informou que foi declarado o estado de emergência no conjunto do território francês e que as fronteiras estão temporariamente encerradas. A Câmara Municipal de Paris pediu à população que não saia de casa esta noite.

O governo belga decidiu, entretanto, estabelecer o controlo de fronteiras com a França em estradas, aeroportos e estações de comboio.  

O Estado Islâmico veio, entretanto, assumir oficialmente a autoria do atentado em comunicado.

No documento difundido nas redes sociais em francês, o EI afirma que “os soldados do Califado” atacaram a cidade de Paris, que denominam de “capital da abominação e da perversão”.

“Oito irmãos que transportavam cintos com explosivos e armas atacaram áreas no coração da capital francesa que foram previamente escolhidas em específico”, lê-se no comunicado, que se refere ao Presidente francês François Hollande como "imbecil".

O EI diz ter escolhido Paris como alvo por os franceses  terem insultado “o Profeta, terem-se gabado de estar a combater o Islão em França e por atacarem muçulmanos do Califado com os seus aviões” e avisa que este é apenas “o início de uma tempestade”.

Reação dos dirigentes de esquerda nas redes sociais:

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, que se encontra em Paris para assistir à Cimeira por um Plano B na Europa, juntamente com os dirigentes bloquistas Joana Mortágua e Luís Fazenda, escreveu na sua conta de twitter: "Estado de emergência decretado em França e fronteiras fechadas. O coração de Paris foi atacado. Em Paris, solidário com a França".

Catarina Martins, porta-voz do Bloco, expressou a sua "solidariedade e dor". "Os atentados desta noite são hediondos. Somos todos parisienses", escreveu na sua página no twitter.

Marisa Matias escreve na sua página de facebook: "Paris - Beirute - Calais. O mesmo horror. A mesma dor. Não é de uma guerra de civilizações que se trata. É de terrorismo. Cristãos, muçulmanos, judeus, ateus: todos/as unidos/as sob um lema comum. Liberdade, igualdade e, hoje mais do que ontem ainda, fraternidade. O terrorismo não passará". No twitter, a candidata presidencial partilha a seguinte nota:

Jean-Luc Mélenchon, ex candidato presidencial da Frente de Esquerda francesa, escreve na sua página de facebook: "O coração sangra com as vítimas expostas à hiper violência desta noite. Neste momento, todas as contendas se interrompem. A minha esperança é que ninguém se renda à vingança e todos mantenham a sua capacidade de discernimento. Espero que os nossos responsáveis governamentais tenham todos os meios necessários para agir de forma adequada. E que todos nós sejamos capazes de resistir ao ódio e medo que os assassinos desejam impor-nos".

O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, escreve no seu twitter: "Tais atos são hediondos e imorais”.

Pablo Iglesias, secretário-geral do partido espanhol Podemos: "Contra a barbárie, estamos com as famílias e vizinhos das vítimas. Defendemos a liberdade. Força para o povo francês".

Alberto Garzón, porta-voz da Izquierda Unida do Estado Espanhol: “A minha solidariedade com as famílias das vítimas dos ataques em Paris e com toda a França”.

Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego: “As nossas profundas condolências às famílias das vítimas. Nestes tempos difíceis, a Grécia apoia o povo francês”.

Bernd Riexinger, colíder do Partido de Esquerda alemão: “Estou horrorizado com a violência em Paris, triste e consternado com as várias pessoas mortas, estou em pensamento com as suas famílias”.

Bernie Sanders, candidato socialista à presidência dos EUA: “Horrorizado com os ataques em Paris desta noite. Os meus pensamentos estão com as vítimas e os seus entes queridos”.

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