A faixa foi pendurada no quinto andar da fachada do Ministério das Finanças, em Atenas, por activistas da Frente de Luta Sindical (PAME). O protesto ocorre depois de ter sido convocada para 15 de Junho a terceira greve geral deste ano contra a política austeritária, imposta pela troika FMI, BCE e Comissão Europeia, que está a conduzir a Grécia à bancarrota e que agora será agravada como condição para o país receber uma nova tranche do empréstimo.
Sob o lema “Não vendemos, não estamos à venda”, a greve geral de 15 de Junho vai incluir marchas de protesto nas principais cidades do país.
O sindicato do sector privado GSEE referiu em comunicado que este novo protesto "responde ao imperativo de resistir às exigências e chantagens da troika", responsável pelo controlo das contas gregas após a concessão de um empréstimo de 110 mil milhões de euros, que poderá ser reforçado em breve. Por sua vez, o sindicato público Adedy anunciou a adesão à greve geral e a organização comum no sábado, em Atenas, de uma manifestação. O GSEE também já convocou para 9 de Junho uma greve dos trabalhadores das empresas públicas que foram colocadas na lista das privatizações.
Ainda esta terça-feira, cerca de 50 mil manifestantes bloquearam os acessos ao parlamento grego. Os Indignad@s gregos, inspirados no Movimento 15 de Maio do Estado espanhol, tem ocupado as praças principais de várias cidades na última semana e garantem que não vão abandonar os protestos até que “o Governo, a Troika e a dívida desapareçam”.
Rol de privatizações e aumento de impostos
Esta quinta-feria soube-se que o Governo grego concordou com os novos cortes de 6400 milhões de euros para ajudar a reduzir mais o défice deste ano e que pretende apresentar esta sexta-feira, no Luxemburgo, os principais aspectos do novo plano orçamental a médio prazo ao presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, com vista a receber um novo pacote de resgate financeiro de 60 a 70 mil milhões de euros da UE e do FMI.
Entre as exigências da troika internacional à Grécia para avançar com mais dinheiro encontra-se ainda um plano de privatizações (para angariar 50 mil milhões de euros) e um aumento de impostos.
Os planos que o Governo irá anunciar prevêem a concessão imediata de dez por cento da operadora de telecomunicações grega OTA à Deutsche Telekom e ainda a privatização dos portos de Atenas e de Salónica, e do Banco Postal. A operadora de jogos OPAP e o grupo de energia DEI-PPC (Electricidade da Grécia) estão também incluídos na lista de privatizações previstas até 2013.
O Governo grego foi encostado à parede com a ameaça de congelamento da ajuda financeira concedida pela UE e pelo FMI. Contudo, a Grécia é hoje um país muito endividado e banido dos mercados, à beira da bancarrota absoluta, uma situação provocada também pela austeridade imposta por quem lhe prestou “ajuda” financeira.
O novo plano de medidas deverá estar concluído nos próximos dias para ser apresentado no parlamento antes da cimeira europeia de 23 e 24 de Junho, onde a crise da dívida grega será um dos temas em discussão.