Imigrantes

Associações e cidadãos entregaram queixa à provedora de Justiça sobre operação policial no Martim Moniz

06 de janeiro 2025 - 12:48

A queixa reuniu mais de 600 subscritores e defende que Maria Lúcia Amaral deve avaliar a legitimidade e proporcionalidade da operação que encostou dezenas de imigrantes às paredes da rua do Benformoso. No sábado há manifestação sob o lema "Não nos encostem à parede".

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Entrega da queixa na Provedoria de Justiça
Fiipa Bolotinha, da associação Renovar a Mouraria, fala aos jornalistas na entrega da queixa na Provedoria de Justiça. Foto Esquerda.net

As imagens chocantes da operação policial de 19 de dezembro na Rua do Benformoso, junto à praça do Martim Moniz em Lisboa, com dezenas de imigrantes encostados à parede durante as duas horas em que a rua esteve cortada, levaram centenas de pessoas e associações a subscreverem uma queixa à Provedoria de Justiça.

A queixa foi entregue na manhã de segunda-feira por um grupo de cidadãos e Filipa Bolotinha, da associação Renovar a Mouraria, foi a porta-voz dos subscritores, lembrando que “a rua do Benformoso é uma rua de pessoas reais que vivem e trabalham lá. E não foi só no dia 19 de dezembro que houve uma ação discriminatória e um atentado à sua dignidade e ao seu bem-estar”. Para esta ativista, “nós não podemos ter num dia os telejornais a dizer que Portugal precisa de 130.000 trabalhadores imigrantes e no dia a seguir, um discurso em que associam a imigração à insegurança, o que é falso, como se viu pelos resultados da operação”.

A queixa pretende que a provedora Maria Lúcia Amaral avalie a legitimidade e proporcionalidade da ação policial e elabore um parecer no âmbito das suas competências. E defende também que a investigação da Inspeção-geral da Administração Interna ao sucedido “siga o seu processo o mais rapidamente possível” para que o assunto "não seja esquecido à velocidade do próximo furo mediático”.

“Todas as pessoas que foram encostadas à parede vão ficar com esta imagem para a vida toda. Este trauma vai ficar no pensamento daquelas pessoas para a vida toda e isso é inadmissível”, apontou Shiv Kumar Singh, presidente da Casa da Índia, para quem esta é uma situação que as democracias não podem permitir que aconteça.

“Uma imagem com as pessoas encostadas à parede é completamente vexatória e é uma imagem que nós não podemos admitir num país democrático que passou por uma ditadura, cujo dia mais importante é o 25 de Abril”, defendeu por seu lado a representante da Casa do Brasil, Ana Paula Costa, também citada pela agência Lusa.

A deputada bloquista Joana Mortágua esteve presente na entrega do documento e irá “aguardar que também a Provedoria possa dizer que esta ação foi ilegítima, desproporcionada e motivada por outras razões que não a segurança, porque essa sabemos que está garantida em Portugal”.

“Não aceitamos que haja uma subcidadania, uma cidadania de segunda em certos bairros e ruas com prevalência de imigrantes. Não são esses os valores da nossa República, não é essa a atitude da polícia que nos representa. E sabemos que este país pode e deve tratar muito bem os imigrantes, por razões de direitos humanos e também porque eles contribuem tanto para a nossa sociedade e economia”, afirmou a deputada do Bloco.

Para o próximo sábado está marcada uma manifestação entre a Alameda e o Martim Moniz, com partida às 15h e sob o lema “Não nos encostem à parede”.