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Assessor de Bolsonaro integrava rede de criação de mentiras no Facebook

Esta quarta-feira a rede social deitou abaixo dezenas de perfis e páginas ligadas a apoiantes de Bolsonaro por divulgarem conteúdo falso. Vários assessores de eleitos bolsonaristas estão diretamente implicados. Entre eles Tércio Arnaud Tomaz, assessor especial do presidente.
Tércio Arnaud Tomaz com Jair Bolsonaro. Foto do Facebook.
Tércio Arnaud Tomaz com Jair Bolsonaro. Foto do Facebook.

O Facebook deitou esta quarta-feira abaixo 35 perfis, 14 páginas e um grupo no Facebook e 38 contas no Instagram ligadas ao clã Bolsonaro, por se dedicarem a espalhar conteúdo falso. Em conjunto, tinham 883 mil seguidores no Facebook e 917 mil no Instagram. E 1.5 milhões de dólares tinham sido gastos na sua promoção.

A operação da rede social também desmontou redes que atuavam na Ucrânia, nos Estados Unidos e na América Latina. No caso da Ucrânia, foram apagadas 72 contas e 35 páginas de Facebook e 13 de Instagram. Nos EUA foram 54 perfis e 50 páginas de Facebook e quatro páginas do Instagram. E na América Latina foram desativados 41 perfis e 77 páginas de Facebook e 56 contas de Instagram, operadas a partir do exterior, nomeadamente do Canadá e do Equador, mas que intervinham na política de El Salvador, Argentina, Uruguai, Venezuela, Equador e Chile.

O esquema brasileiro tinha ligações diretas com Jair Bolsonaro. Tércio Arnaud Tomaz, assessor especial do presidente, estava implicado, segundo um levantamento feito pelo Laboratório Forense Digital do Atlantic Council em parceria com o Facebook. Tércio seria o responsável por divulgar informação falsa sobre a covid-19 e por atacar várias pessoas, um dos quais o ex-ministro Sergio Moro.

Tércio registou a conta de Instagram @bolsonaronewsss que contava com 492 mil seguidores e mais de 11 mil publicações que uma outra página no Facebook, intitulada Bolsonaro News, tratava de espalhar.

Também um funcionário do gabinete de Eduardo Bolsonaro e mais outros quatro ex ou atuais assessores de eleitos do campo político bolsonarista integravam a rede que operava com contas falsas, algumas que fingiam ser de jornalistas, e páginas falsas, algumas fazendo-se passar por órgãos de comunicação social. O assessor do terceiro filho de Bolsonaro, Paulo Eduardo Lopes, registou um outro site chamado Brazilian Post dedicado a atacar pessoalmente rivais políticos de Bolsonaro e a comunicação social que não lhe fosse favorável.

Entre os outros assessores que se dedicavam à divulgação de conteúdo falso está o casal Leonardo Rodrigues de Barros Neto, conhecido pelo nome Leonardo Bolsoneas, que foi assessor da deputada estadual do Rio de Janeiro, Alana Passos, e Vanessa Navarro, que pertence ao gabinete do deputado Anderson Moraes, também do Rio de Janeiro. E também Johnathan William Benetti, funcionário do deputado estadual Coronel Nishikawa.

Segundo o relatório do Digital Forensic Research Lab do Atlantic Council, “o envolvimento dos assessores na operação pode indicar um potencial uso de recursos públicos, já que muitos dos posts eram publicados durante o horário de expediente”.

Comissão Parlamentar que investiga “gabinete do ódio” pediu dados ao Facebook

Entretanto, a Comissão Parlamentar Mista de Investigação criada para investigar a rede de divulgação de notícias falsas por parte dos bolsonaristas anunciou, pela boca do seu presidente, Angelo Coronel, que vai pedir estes dados para juntar ao seu processo no retomar dos seus trabalhos em agosto.

Esta comissão, analisava a existência do chamado “Gabinete do Ódio”, uma rede que já tinha no seu centro o nome de Tércio Arnaud Tomaz, junto com outros dois assessores de outro dos filhos de Jair Bolsonaro, o seu segundo filho, Carlos, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz, e com Filipe G. Martins, também assessor da Presidência da República.

Uma deputada ex-apoiante do presidente, Joice Hasselmann, nas suas declarações na CPMI, disse que há dinheiro público envolvido. Segundo ela, o lançamento de mensagens automaticamente, com recurso a bots, custaria 20 mil reais. Haveria 1,4 milhões de robots a seguir o perfil de Jair Bolsonaro e 468 mil a seguir o de Eduardo Bolsonaro.

Para além de pedir os dados ao Facebook, a CPMI vai ainda quebrar o sigilo bancário e fiscal a 60 pessoas e analisar a utilização das redes de telecomunicações.

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