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A contas com a justiça, ministro da Educação de Bolsonaro demitiu-se

Weintraub somou polémicas. Disse que os juízes do Supremo eram “vagabundos” que deviam estar presos e estava a ser investigado no caso da máquina de notícias falsas montada pelos apoiantes de Bolsonaro.
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, participa do primeiro culto de Santa Ceia de 2020 da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional.  Foto de Marcelo Camargo/Agência Brasil.
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, participa do primeiro culto de Santa Ceia de 2020 da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional. Foto de Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Depois de apenas 14 meses e dez dias no cargo, Abraham Weintraub, ministro da Educação do Brasil, saiu do governo. Anunciou a sua saída num vídeo ao lado do presidente em que disse que irá integrar a direção do Banco Mundial no país mas em que o tema da educação foi o grande ausente.

A sua demissão era esperada. O ex-ministro era conhecido sobretudo pelas polémicas. Terá ido longe de mais quando defendeu publicamente que se prendessem os juízes do Supremo Tribunal Federal e os chamou de “vagabundos”. As declarações numa manifestação este domingo incendiaram ainda mais as relações já tensas entre o governo e o poder judicial. Acresce que estava sem máscara o que viola as leis do Distrito Federal, tendo sido multado.

A posição de Weintraub era também vista como insustentável devido a estar a ser investigado no inquérito da máquina de notícias falsas do bolsonarismo.

O ex-ministro, o sétimo a sair do governo, era conhecido pela virulência da sua retórica. Atacava frequentemente a obra de Paulo Freire e procurou ridicularizar a forma como os chineses falam portugues. Por esse ataque, estava também a ser investigado por racismo. Já para não falar no conteúdo em que insinuava que o coronavírus fazia parte de um “plano infalível” par dominar o mundo. O tuíte acabou por ser apagado. Mas Weintraub continuou a insistir que o vírus foi criação em laboratório.

Se esta publicação zangou a embaixada chinesa no país, que protestou veementemente, uma outra enfureceu a embaixada alemã e a comunidade judaica. O ex-ministro comparou a investigação às fake news à noite dos cristais nazi, episódio marcante da perseguição ao judeus pelos nazis.

O jornal Folha de São Paulo fez uma análise das suas publicações no Twitter em que concluiu que “em 42% das mensagens havia algum tipo de ataque, sobretudo contra a imprensa, o PT e a esquerda. Metade de suas postagens não falava de educação, e, quando o fazia, raramente evitava rompantes ideológicos.” Por elas, somou processos judiciais e ainda uma tentativa de destituição vinda do Congresso mas travada pelo Supremo Tribunal Federal.

À frente do ministério, criticava-se-lhe a falta de diálogo e a não concretização de projetos. A semana passada tinha visto devolvida pelo presidente do Senado a medida provisória com faria com que pudesse nomear diretamente de forma temporária reitores universitários.

Mas fez coisas. Por exemplo, cortou as bolsas de investigação em 8% e exigiu cortes no financiamento de bolsas para a área das humanidades. E tinha uma ideia acerca das escolas que geria: para eles as universidade eram "plantações extensivas de maconha", os laboratórios universitários estariam a ser usados para fazer drogas sintéticas e eram dominadas pelo esquerdismo. Uma das soluções para o suposto caos educativo era a criação de escolas militares.

Mas um verdadeiro caos causou o seu ministério no Exame Nacional do Ensino Médio de 2019 que tinha classificado como o melhor de sempre. O ministério teve de acabar por reconhecer erros em cerca de seis mil classificações e houve outros milhares a contestar a prova, alguns dos quais na justiça.

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