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Assédio não é sedução, é violência

Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, o Bloco de Esquerda lança uma campanha contra o assédio. Esta campanha incluirá a promoção de debates nas escolas.
As mulheres ainda ganham menos 16% que os homens, equivalendo a dois meses anuais de trabalho não remunerado.

No âmbito do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Bloco de Esquerda lançou uma campanha contra o assédio. A campanha, com o lema Assédio não é sedução, é violência, é constituída por um folheto, vários autocolantes, um outdoor e a promoção de debates nas escolas de todo o país.

Lembrando que ainda há muito por fazer, Catarina Martins salienta que as mulheres ainda ganham menos 16% que os homens, equivalendo a dois meses anuais de trabalho não remunerado. Segundo dados do Eurostat, Portugal foi o país da União Europeia em que o fosso salarial entre homens e mulheres mais cresceu entre 2011 e 2016 (4,6%). As mulheres são também 85% das vítimas de violência doméstica e 90% das vítimas de violência sexual em Portugal.

“A cada mês que passa, duas mulheres são assassinadas e duas mulheres são vítimas de tentativa de homicídio”, afirmou Catarina Martins. Além disso, as mulheres gastam mais uma hora e quarenta e cinco minutos por dia em tarefas domésticas, o que equivale a 26 dias por ano.

Esta campanha contra o assédio surge pelo reconhecimento de que, embora a legislação tenha mudado, esta ainda não é aplicada na prática. “Há uma cultura instalada que não permite que as vítimas se façam ouvir, que continua a reproduzir agressores e que faz com que as forças de segurança e as magistraturas não sejam capazes de estar à altura da responsabilidade que a lei lhes dá”, afirmou a coordenadora do Bloco ao esquerda.net.

“É preciso mudar, é preciso debater, é preciso acabar com essa cultura instalada. O Bloco estará em todo o país, na rua e nas autarquias, em debates nas escolas (…) a debater, no fundo, a igualdade, porque os direitos das mulheres são os direitos de todos e de todas”.

Segundo o noticiado hoje pela TSF após a leitura do último “Relatório anual de monitorização da violência doméstica", cerca de 78% dos 45 mil inquéritos por violência doméstica fechados entre 2012 e 2016 e comunicados à Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna acabaram arquivados. A justificação deveu-se, na maioria das situações à ausência de provas.

Entre os poucos casos que chegaram a acusação e a julgamento, 57,7% acabaram com condenação, apesar de em 9 em cada 10 condenações a pena ser suspensa.

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