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Assange é vítima de “tortura psicológica”, diz especialista da ONU

O fundador do Wikileaks preso em Inglaterra foi examinado pelo especialista da ONU em matéria de tortura, que confirmou o tratamento cruel a que foi exposto nos últimos anos de exílio. Nils Melzer apela ao fim da perseguição a Assange.
Nils Melzer, Relator Especial da ONU sobre tortura.
Nils Melzer, Relator Especial da ONU sobre tortura. Foto UN Geneva/Flickr

Para o Relator Especial da ONU sobre tortura, não restam dúvidas de que Julian Assange “foi deliberadamente exposto ao longo de um período de vários anos a formas cada vez mais graves de tratamento e castigo cruel, desumano ou degradante, cujos efeitos cumulativos só podem ser descritos como tortura psicológica”.

Nils Melzer acrescentou que nos seus 20 anos de trabalho com vítimas de guerra, violência e perseguição política, “nunca vi um grupo de Estados democráticos se juntarem para deliberadamente isolar, demonizar e abusar de um único indivíduo por um período de tempo tão longo e com tão pouco respeito pela dignidade humana e o estado de direito”. Por isso, conclui, “a perseguição coletiva a Julian Assange deve acabar aqui e agora!”, em vez de continuar do outro lado do Atlântico, caso seja aceite o pedido de extradição para os Estados Unidos.

“A minha preocupação mais urgente é que nos Estados Unidos o Sr. Assange seja exposto a um risco verdadeiro de violações graves dos seus direitos humanos, incluindo a liberdade de expressão, o direito a um julgamento justo e a proibição de tortura e outro tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”, afirmou Nils Melzer, após visitar Assange na prisão, acompanhado por dois médicos especialistas.

Melzer afirma ainda que nos últimos nove anos, Julian Assange foi alvo de abusos “persistentes e cada vez mais severos, desde a perseguição judicial sistemática ao confinamento na embaixada do Equador, o isolamento, assédio e vigilância no interior da embaixada, passando pela ridicularização coletiva deliberada, os insultos e a humilhação, até à instigação declarada de violência e apelos reiterados ao seu assassinato”, prosseguiu o relator espacial da ONU.

Em resultado dessa experiência, Melzer diz que é óbvio que a saúde de Assange foi gravemente afetada pelo “ambiente extremamente hostil” a que esteve exposto por muitos anos, com o fundador do Wikileaks a mostrar “todos os sintomas típicos da exposição prolongada à tortura psicológica, incluindo stress extremo, ansiedade crónica e trauma psicológico intenso”.

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