A Federação Nacional dos Médicos lamenta que o Conselho de Administração (CA) do hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo, tenha “covarde e corporativamente”, optado pelo arquivamento sobre as situações de assédio moral e laboral na Unidade de Cuidados Intensivos
A FNAM refere que, dos 44 profissionais que fizeram a denúncia, apenas uma dezena foi ouvida, “o que levanta a suspeita de que esta comissão não se tratou verdadeiramente de uma Comissão de Inquérito, mas de uma comissão de absolvição, desenhada para abafar e arquivar o assunto, independentemente das evidências em questão”.
“Também é curioso que a Comissão de Inquérito decida pelo arquivamento, mas não deixe de apontar que ‘a implementação das recomendações terá início brevemente’, o que evidencia o reconhecimento da existência da situação de assédio”, escreve a estrutura sindical.
Os 44 profissionais de saúde, que já promoveram um abaixo-assinado, descrevem o "ambiente verdadeiramente insuportável" que se vive no serviço da UCI do hospital de Santa Luzia, "um ambiente de constante crispação, atemorização e, sobretudo, de abespinhamento dos enfermeiros de serviço, com reflexos na sua vida pessoal e profissional, o que, em última análise, compromete a qualidade dos serviços prestados aos utentes".
A FNAM garante que, “não obstante o arquivamento interno”, irá “prosseguir juridicamente até às últimas instâncias, acreditando que os tribunais não estão contaminados de instinto corporativo e que não vão deixar de ouvir os médicos vítimas de assédio moral e laboral”.
“A verdade terá que prevalecer, e não é o arquivamento de um CA conivente, a cumplicidade do Ministério da Saúde e a lógica corporativa de um auditor interno, que vão ser capazes de travar a justiça no hospital de Santa Luzia”, lê-se no comunicado divulgado.
A estrutura sindical lembra também que, a par de recorrer aos tribunais, já decorrem processos de inquérito quer na Ordem dos Médicos, quer na Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).
A FNAM reforça a reivindicação do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) no sentido da “suspensão imediata" do diretor de medicina crítica e intensiva que está no centro das denúncias.