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Argentina: Macri responde à crise com mais austeridade

Por entre imagens de saques de supermercados e rumores de nova remodelação governamental para responder ao colapso da moeda, o presidente argentino deverá anunciar mais cortes esta segunda-feira.
Imagem da manifestação de maio contra o acordo com o FMI. Fotografías Emergentes/Flickr

O governo liberal do presidente milionário Mauricio Macri está cada vez mais encurralado por uma crise que viu o peso argentino desvalorizar mais de 50% face ao dólar desde o início do ano e ameaça o país com uma nova bancarrota.

Eleito com a promessa de pôr em ordem as contas públicas, as políticas liberais do governo empurraram o país para a crise. Esta semana, para tentar acalmar os mercados e garantir o cumprimento das obrigações com os credores, Macri anunciou na quarta-feira ter pedido ao FMI o adiantamento de parte do empréstimo que foi negociado em maio. Mas o resultado do anúncio foi a maior queda do peso face ao dólar registada num só dia. O anterior recorde pertenceu ao dia 8 de maio, quando Macri anunciou o regresso do FMI à Argentina.

Com a inflação e o défice bem acima do que encontrou quando chegou ao poder no fim de 2015, Macri e o FMI querem reforçar a dose de austeridade para conseguir um défice zero em 2019. A única certeza é a da oposição nas ruas às novas medidas de austeridade por parte de um povo que sofreu na pele a última bancarrota há menos de 20 anos.

Também por isso, os argentinos que o conseguem desde há muito que aplicam a estratégia de comprar dólares e antecipar compras. Em janeiro, eram precisos 18 pesos para comprar um dólar e agora o preço do dólar ronda os 40 pesos. A compra de dólares na Argentina já tinha superado entre janeiro e julho deste ano o montante total registado em todo o ano passado. As previsões para a inflação já chegam aos 35%, o que tem provocado a corrida aos supermercados.

Na semana passada regressaram as imagens de saques em supermercados e centros comerciais, organizados por grupos através do Whatsapp, em  cidades como Mendoza ou Comodoro Ribadavia, onde a polícia deteve nove das cerca de cem pessoas que entraram numa loja Carrefour para levar o que conseguissem.

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