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Aquecimento global tem agravado as desigualdades no mundo, indica novo estudo

Um novo estudo da Universidade de Stanford nos EUA conclui que, desde a década de 60, o aquecimento global tem vindo a aumentar as desigualdades económicas, favorecendo os países mais frios. Os cientistas Noah Diffenbaugh e Marshall Burke são os autores do estudo.
Fábrica de celulose e papel em New Brunswick, Canadá – Foto de Alexvye/Wikipedia
Fábrica de celulose e papel em New Brunswick, Canadá – Foto de Alexvye/Wikipedia

O estudo foi divulgado nesta segunda-feira, 22 de abril de 2019, foi publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” e pode ser acedido aqui. Noah Diffenbaugh é o autor principal do estudo e é especialista em clima, Marshall Burke é professor na Universidade de Stanford.

O documento sublinha que os países de climas mais frios foram favorecidos, ao contrário dos países de climas mais quentes, devido ao aquecimento global provocado pela concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera.

Entre 1961 e 2010, o aquecimento global diminuiu a riqueza por pessoa nos países mais pobres do mundo num valor entre 17% e 30%, conclui o estudo, salientando que a diferença entre os países mais ricos e mais pobres é agora 25% superior ao que seria sem alterações climáticas.

Em declarações à agência Lusa, Noah Diffenbaugh afirmou “os nossos resultados mostram que a maioria dos países mais pobres da Terra é consideravelmente mais pobre do que seria sem o aquecimento global”, acrescentando que “a maioria dos países ricos é mais rica do que teria sido” sem alterações climáticas.

Os autores do estudo chegaram a estas conclusões depois de analisarem 50 anos de temperaturas anuais e o Produto Interno Bruto (PIB) de 165 países.

"Os dados históricos mostram claramente que as culturas são mais produtivas, as pessoas são mais saudáveis e somos mais produtivos no trabalho quando as temperaturas não são nem muito quentes nem muito frias. Isso significa que em países frios um pouco de aquecimento pode ajudar. O contrário é verdadeiro em países que já são quentes", disse Marshall Burke na apresentação do estudo.

À TSF, Noah Diffenbaugh sublinhou: "A conclusão na qual temos mais confiança é de que o aquecimento global - que está um grau acima da época pré-industrial - muito provavelmente reduziu o PIB per capita em países quentes, muitos dos quais são também pobres, com muita população e que contribuíram muito pouco com emissões de gases com efeito de estufa".

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