No relatório Acompanhamento da Execução do Orçamento da Segurança Social, relativo a 2014, o Tribunal de Contas (TdC) alerta para “a baixa taxa de integração desta população na vida ativa após a finalização do estágio”, sublinhando que, “em 2013, 42,4% dos estagiários foram integrados no mercado de trabalho após estágio e em 2014 apenas 33,3%”.
Ou seja, só três em cada dez estagiários conseguiram colocação no mercado de trabalho, tendo os restantes dois terços regressado ao desemprego.
Os estágios promovidos ou financiados pelo Estado contribuíram também para elevados níveis de precariedade, tendo o “demérito de pressionar negativamente a massa salarial do setor privado, com consequências diretas na arrecadação da receita contributiva”.
Na audição parlamentar do ministro da Economia, Pires de Lima, que teve lugar na semana passada, a deputada bloquista Mariana Mortágua frisou que “65 mil pessoas a fazer estágios em empresas financiados pelo Estado é criação artificial de emprego”.
“São desempregados que saem das estatísticas, mas não são empregados”, avançou a dirigente bloquista.
Pires de Lima afirmou-se verdadeiramente espantado com a identificação entre estágios e emprego artificial, referindo que esta era uma “tese revolucionária” que traduz as diferentes visões do governo e do Bloco sobre o emprego.