António Ramalho vai trabalhar para consultora que contratou no Novo Banco

08 de maio 2023 - 21:01

O ex-presidente do Novo Banco prepara-se para iniciar funções como “senior adviser” da consultora nova-iorquina Alvarez & Marsal, a quem o banco contratou serviços antes e durante o seu mandato. Empresa já tinha sido acusada de conflito de interesses no Brasil quando contratou Sergio Moro, o ex-juiz e ministro de Bolsonaro.

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O diretor Executivo do Novo Banco, António Ramalho (ao centro), no final da conferência de imprensa de apresentação de resultados de 2019, na sede do Novo Banco, em Lisboa, 28 de fevereiro de 2020. Foto José Sena Goulão/LUSA.

O diário online Observador noticia esta segunda-feira que o ex-presidente do Novo Banco, António Ramalho, foi um dos escolhidos pela consultora Alvarez & Marsal para formar a nova unidade portuguesa, liderada por Mário Trinca, antigo quadro das consultoras EY e Accenture.

Mas a atividade da Alvarez & Marsal em Portugal não será uma novidade, a começar pelo trabalho que desenvolveu para o Novo Banco quando foi contratada pela gestão de Stock da Cunha e depois pelo próprio António Ramalho, para o apoiar na venda do Novo Banco Espanha e proceder à avaliação das vendas dos ativos imobiliários do banco, um dos grandes centros da polémica em torno da gestão privada, acusada de os vender a preço de saldo com a diferença a ser paga com o dinheiro dos contribuintes, através do Fundo de Resolução. A consultora deu nota máxima (100%) em quanse todos os testes realizados às alienações dos fundos Sartorius e Viriato.

"Tendo acompanhado o trabalho da Alvarez & Marsal e conhecendo o seu profissionalismo, é uma grande oportunidade a vinda desta consultora para Portugal", afirmou Ramalho ao Jornal de Negócios. Além do novo emprego como consultor, António Ramalho foi eleito esta semana vice-presidente da FIL e da FIL Design. Em fevereiro, tinha anunciado o regresso ao ensino como “industry fellow” da área de banca e financiamento na Católica Porto Business School.

A consultora novaiorquina esteve também no centro da polémica no ano passado por causa de outra contratação, desta vez no Brasil: a do ex-juiz Sergio Moro, que acusou e condenou Lula e depois se tornou ministro de Bolsonaro, antes de as desavenças com o então presidente o terem obrigado a sair do Governo. A consultora administrava o processo de recuperação judicial da Odebrecht, uma das empresas no centro da Operação Lava-Jato, tendo recebido dezenas de milhões de reais de empresas denunciadas nessa operação onde Moro interviera enquanto juiz.

“Fui trabalhar, precisava ganhar dinheiro. E aí recebia pagamento de um serviço que eu prestava. Jamais prestei serviço para empresa envolvida na Lava Jato. Quem fala isso mente”, disse Moro em entrevista ao podcast Flow.

Por seu lado, a consultora afirmou que o contrato de Moro o impedia expressamente de atuar com clientes envolvidos na operação Lava Jato ou outras empresas que ele tivesse investigado enquanto juiz.