Angola: Perseguições ao Movimento Protectorado Lunda Tchokwe

03 de julho 2017 - 16:00

Apoiantes do movimento que reivindica a autonomia das regiões dos povos Tchokwe da faixa leste de Angola, Lunda Norte e Lunda Sul estão a ser detidos sem mandato judicial. Há registo de uma vítima mortal como resultado de repressão policial.

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Foto: Movimento Protectorado Lunda Tchokwe
Foto: Movimento Protectorado Lunda Tchokwe

A denúncia é feita a partir do Blog do Movimento Protectorado Lunda Tchokwe e refere que, após manifestação ocorrida no sábado, dia 25 de junho, que acabou por contabilizar um morto e 62 detidos na região do Cuango, a polícia nacional angolana começou perseguições a membros do movimento que acabaram com três detenções em Saurimo, capital da província da Lunda Sul e o mesmo número de detidos na região do Cafunfo, na Lunda Norte. Da intervenção da polícia nacional resultaram ainda 13 feridos.

As detenções e perseguições acontecem a propósito das manifestações, mas também antes da ida do candidato do MPLA às eleições presidenciais, João Lourenço, para um comício de campanha agendado para os próximos dias. Mas para José Zecamuchima ouvido pela agência de notícias alemã Deutche Welle (DW) diz haver razões mais profundas que os manifestantes desconhecem "ao invés de estar a maquinar as pessoas, o que o Governo da República de Angola deve fazer é partir para o diálogo. No ano das eleições deve partir para o diálogo enquanto é cedo.”


Foto: Movimento Protectorado Lunda Tchokwe

Por seu lado, o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (CEMGFAA), Geraldo Sachipengo Nunda, confirmou a realização da manifestação, que considerou ilegal, "por duas questões. Primeiro, o protetorado não é nenhum partido, associação, mas é uma organização que pretende fazer a divisão do país, mas isto a constituição não aceita", disse em declarações à televisão estatal TPA.

José Mateus Zecamuchima diz ter ainda informações que apontam para a possibilidade das autoridades terem colocado armamento nas residências dos dirigentes do Movimento Protectorado, para que essa seja vista como uma organização terrorista.

As manifestações foram convocadas com o objetivo de exigir autonomia, o fim das perseguições e soltura dos presos políticos do protetorado na cadeia da Kakanda, na Lunda Norte. O comunicado do Protetorado diz ainda que o movimento exige uma autonomia para a Lunda Tchokwe como a Escócia do Reino Unido.

As manifestações organizadas pelo Protectorado Lunda Tchokwe estão a criar mobilização social numa zona considerada sensível para as autoridades angolanas, pois a Lunda Norte e a Lunda Sul, correspondem à maior bacia de extração mineira de Angola.