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Ana Luísa Amaral recebe Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana

A poeta Ana Luísa Amaral é a terceira autora portuguesa a receber este galardão, que foi também atribuído a Sophia de Mello Breyner (2003) e Nuno Júdice (2013).
Ana Luísa Amaral recebe Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. Fotografia: Facebook

Atribuído pela Universidade de Salamanca e pelo Património Nacional (de Espanha), no valor de 42 mil euros, o Prémio Rainha Sofia visa reconhecer e premiar o conjunto da obra poética de um autor vivo que constitua um contributo relevante para o património cultural comum iberoamericano. Ana Luísa Amaral já havia sido proposta para este prémio em 2013. 

Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa e cresceu no Porto, onde reside. É docente aposentada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde integrou o Instituto Margarida Losa de literatura Comparada. É doutorada em literatura anglo-americana com especialização em Emily Dickinson. 

Ao longo da sua prolífica carreira literária, Ana Luísa Amaral escreveu mais de uma dezena de livros de poesia, entre os quais “Minha senhora de quê” (Fora do Texto, 1990), “Às vezes o paraíso” (Quetzal, 1998), “A génese do amor” (Campo das Letras, 2005), “Escuro” (Assírio & Alvim, 2014), “E Todavia” (Assírio & Alvim, 2015) ou “Ágora” (Assírio & Alvim, 2019). Escreveu ensaios, peças de teatro e literatura infantil, além de ter traduzido para português livros de Emily Dickinson, Patricia Highsmith, William Shakespeare ou Louise Glück. A estas obras acrescem as publicações que efetuou no âmbito académico.  

O prémio agora recebido junta-se a muitos outros que têm vindo a reconhecer a sua obra, entre os quais se encontram o Prémio Correntes d’Escritas em 2007, com a obra “A Génese do Amor”, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com “Entre dois rios e outras noites”, o Prémio Livro do Ano de Poesia da Librerias de Madrid (2020) ou o Prémio Virgílio Ferreira em 2021.

Numa entrevista recente, ao Espalha Factos, Ana Luísa Amaral refletia sobre a utilização da palavra “poetisa” para designar as mulheres poetas: «Eu prefiro poeta e durante muito tempo lutei por “poeta” para as poetas. Escrevi toda uma tese sobre Emily Dickinson chamando-lhe “Mulher-poeta” (à semelhança de “Woman-poet”, em inglês)», afirmou a autora, acrescentando que «não é por acaso que Jorge de Sena, quando fala em Emily Dickinson e quando quer dizer que ela é extraordinária, ele diz que Emily Dickinson é “um poeta”. Põe-na no masculino, como se o masculino fosse neutro. Lamento, não é neutro. Não há neutro. Não temos neutro». 
 

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