Os estudantes deslocados da guerra da Ucrânia que encontraram em Portugal um refúgio para poderem prosseguir os estudos depararam-se nas últimas semanas com a intenção da AIMA de revogar o estatuto de proteção temporária a quem não tenha a nacionalidade ucraniana. Esse é o caso de dezenas de estudantes oriundos de países como a Nigéria, Marrocos, Bangladesh, Paquistão ou Índia, que estavam na Ucrânia e prosseguiram aqui os estudos, muitos deles na área de medicina.
Ucrânia
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Nos últimos dias estes estudantes decidiram lançar uma petição pública dirigida ao primeiro-ministro - que pode ser assinada aqui - para que interceda junto da AIMA no sentido de suspender a revogação do estatuto de proteção temporária destes estudantes, permitindo-lhes assim concluir os seus cursos em Portugal.
“Estes jovens não pedem privilégios. Pedem apenas o direito de terminar o que começaram: os seus estudos e a possibilidade de uma nova vida. Vieram para Portugal porque acreditaram que aqui encontrariam paz e futuro. Não podemos agora deixá-los sozinhos”, refere o texto da petição.
Com a revogação deste estatuto, a AIMA está a dizer aos estudantes para requererem uma autorização de residência “para fins de estudo”, o que “os transformaria automaticamente em estudantes internacionais e os obrigaria a pagar propinas entre os 7.000 e os 18.000 euros anuais, valores insustentáveis para quem fugiu da guerra e depende, na maioria dos casos, de apoios de emergência”, lamentam os estudantes. O resultado prático da revogação é que estes jovens “que estão a poucos exames de terminar Medicina, Engenharia ou outras áreas essenciais correm o risco de ver anos de esforço, integração e adaptação perdidos”.
“É incompreensível que Portugal, país que tantas vezes se orgulha da sua tradição humanista e solidária, volte as costas a quem acolheu em tempo de guerra. Independentemente da sua nacionalidade, a legislação que assegura a proteção para todas as pessoas deslocadas por esta guerra na Ucrânia deveria prevalecer e deveríamos assegurar que ninguém é excluído com base em critérios administrativos que ignoram a realidade humana destas vidas”, defendem os estudantes, apelando à subscrição deste apelo a Luís Montenegro.