Mais de uma centena de ativistas ambientais tentaram impedir esta sexta-feira o acesso dos acionistas da TotalEnergies à assembleia anual da empresa. Sentados, de braços dados, formaram um cordão humano à volta do local para o qual estava marcada a reunião. Traziam faixas em que se podiam ler mensagens como “a Total destrói, os bancos financiam, nós resistimos” e “escutem os cientistas, nem mais um projeto fóssil”. A polícia reagiu com cargas contra os manifestantes e usando gás lacrimogéneo e escoltou os acionistas até dentro do edifício.
A ação segue-se a outras realizadas no mesmo tipo de reuniões de outros gigantes dos combustíveis fósseis. No início da semana, uma tentativa de chegar ao palco da reunião foi travada por seguranças. Antes, no mês passado, a reunião da BP teve de ser interrompida várias vezes devido a protestos.
Les forces de l'ordre déposent une grenade lacrymogène au milieu de manifestants assis pour bloquer l'AG de #Total à Paris (@ClementLanot) pic.twitter.com/NEP0BXeNdf
— Anonyme Citoyen (@AnonymeCitoyen) May 26, 2023
D'autres militants tentent de rejoindre le blocage mais sont repoussés par la police #AGTotal #BLOCAGETOTAL pic.twitter.com/HXgwBrsGhG
— Arnaud César Vilette (@ArnaudCesarV) May 26, 2023
Aí, tinha sido rejeitada uma proposta de um grupo de “acionistas ativistas” para acelerar o fim dos investimentos da empresa nos combustíveis fósseis. Proposta semelhante irá a votos na reunião magna da TotalEnergies. O grupo Follow This conseguiu o apoio de 17 investidores institucionais para o fazer. A direção da empresa, claro, opõe-se e tem um “plano climático” próprio que prevê alguns pequenos cortes de emissões poluentes nas instalações diretamente geridas por si mas não apresenta cortes significativos no grosso das emissões que são as produzidas pelos clientes.
Como escreve o Libération esta sexta-feira, os ativistas climáticos olham para o discurso e as práticas da empresa como “greenwashing”. Neste dia, a associação Bloom lançou uma investigação que dá a conhecer mais detalhas de como a Total usa as energias renováveis para limpar a imagem dos seus “projetos climaticidas”. Dois dos projetos deste tipo são analisados por aquele jornal: o projeto Tilenga e o Eacop, Projeto de oleoduto da África do Leste, no Uganda e na Tanzânia. Um explora as “gigantescas” reservas de petróleo descobertas em 2006 nas margens do lago Albert e o outro vai ser o maior oleoduto aquecido do mundo.
Do resultado da própria reunião só haverá notícias mais tarde e indiretamente porque, para impedir imagens como as que sucederam nas outras reuniões, todos os acionistas e jornalistas tiveram de deixar os telemóveis à entrada.