A Greenpeace anunciou esta sexta-feira ter lançado 18 blocos enormes de pedra no Canal da Mancha, ao largo da Cornualha, na tentativa de impedir a pesca industrial “destrutiva” numa zona ambientalmente protegida do sudoeste da Inglaterra. De acordo com a organização a ação impedirá os barcos de arrastão de fundo de continuar a matar indiscriminadamente as espécies marinhas que apanhem pela frente.
A South West Deeps (East) Conservation Zone é uma zona protegida mas ameaçada pela pesca industrial. Segundo o observatório Global Fishing Watch, em 18 meses, 110 navios pescaram aí durante cerca de 19.000 horas, 3.376 das quais ocupadas pelos grandes navios de arrastão de fundo com efeitos devastadores.
A organização de defesa do ambiente lançou as rochas calcárias que pesavam entre 500 a 1.400 quilos mas “preferia largamente que o governo fizesse o seu trabalho” diz Will McCallum da secção britânica do grupo à France Press. Ele considera a autorização deste tipo de pesca em zonas protegidas “escandalosa” porque “destrói grandes áreas do ecossistema marinho e ridiculariza a nossa dita “proteção”.
Apela-se assim ao governo que interdite a pesca industrial em todas as zonas marinhas britânicas protegidas. A medida protegeria ao mesmo tempo a vida marinha, faria face às alterações climáticas e apoiaria os pescadores locais, diz outra responsável da Greenpeace, Jasmine Watkiss.
A Greenpeace UK defende ainda nas suas redes sociais que "a saúde dos nossos oceanos é mais importante do que os lucros da frota de pesca industrial" e mostra imagens da ação.
BREAKING : We’ve built a boulder barrier 200km off the coast of Cornwall to stop the industrial fishing frenzy in a supposedly protected area.
If the government won’t protect our oceans, we will #SaveOurSeas pic.twitter.com/qAkGf3VeAj
— Greenpeace UK (@GreenpeaceUK) September 2, 2022