A Amazon é conhecida como uma das empresas mais anti-sindicatos dos Estados Unidos da América. Durante anos, conseguiu que em nenhum dos seus locais de trabalho existissem sindicatos organizados. Até que, recentemente, uma vaga de sindicalização derrubou este muro. Trabalhadores dos armazéns e motoristas da distribuição começaram já a fazer esse caminho. Esta segunda-feira foi dado o primeiro passo na Whole Foods Market.
Os trabalhadores de uma loja destes supermercados em Spring Garden, Filadélfia, em luta por melhores salários, decidiram organizar-se no sindicato United Food and Commercial Workers. O regulador laboral dos EUA, o National Labor Relations Board, confirmou o resultado da votação: 130 a favor, 100 contra.
Há mais de 500 lojas desta cadeia em todo o país e o objetivo do sindicato é conseguir replicar aqui a vaga de sindicalizações de locais de trabalho que tem acontecido nos outros setores.
Um dos trabalhadores que liderou o processo nesta loja, Ben Lovett, diz ao New York Times precisamente que espera “que outros se sigam e que isto aumentará a influência que temos na mesa das negociações”. Para já, “mostrámos-lhes que é possível organizar-se na Amazon.”
A mesma fonte indica que há esperança em conseguir aumentar os salários que atualmente começam nos 16 dólares por hora e, pelo menos, retomar alguns benefícios que existiam antes de 2017, quando a Amazon comprou a cadeia e começou a reduzir direitos e a despedir trabalhadores.
O sindicato denuncia que houve uma “campanha anti-sindicato violenta”. Em comunicado oficial, congratula-se por “apesar de um ataque implacável de propaganda anti-sindical e de intimidação, e de múltiplas alegações de práticas laborais injustas cometidas pela administração da Whole Foods, os trabalhadores mantiveram-se empenhados na sindicalização. A votação de hoje é uma prova do poder da ação coletiva e da sua determinação para conseguir uma voz no trabalho”, acredita.