Cerca de 50 alunos dos cursos de pintura, escultura, design e multimédia, mobilizados pela associação de estudantes da FBAUP, reuniram-se na faculdade para “estender a roupa suja”, ou seja, vários papéis, com frases reivindicativas, se encontravam pendurados por molas de madeira numa a corda que rodeava o caminho central das instalações.
“Insuficiências” da faculdade e de “todo o ensino superior”, nomeadamente “a falta de materiais e espaços que correspondam às necessidades dos alunos”, são algumas peças da “roupa suja” que os alunos querem mostrar, explicou a presidente da associação de estudantes da FBAUP, Inês Soares.
A presidente afirmou que o principal objetivo do protesto é “consciencializar os alunos para denunciar estas políticas que se estão a agravar”.
No mesmo registo, Maria Silva, aluna da FBAUP, afirmou que os alunos têm “sentido condições trágicas”.
“É insustentável estar no ensino superior e estudar com sucesso e com condições de sucesso”, disse.
A título de exemplo, Maria contou à agência Lusa que atualmente os alunos contam apenas com um técnico para as oficinas de madeira, pedra e metal, e para o museu da FBAUP.
“Se eu mexer numa máquina e me magoar, não tenho ninguém para pedir socorro”, alertou.
Maria Silva considera que a FBAUP possui “poucos materiais e as máquinas que tem não são devidamente atualizadas em termos de segurança”.
Relativamente aos cortes do Estado, um comunicado relativo a este protesto dos alunos descreve que o “ensino superior tem sido alvo de um desinvestimento crónico por parte dos sucessivos governos”.
“Não é admissível que um país que precisa tanto de desenvolvimento económico, de produzir, de criar riqueza, esteja a barrar o ensino, pois está na verdade a barrar o progresso científico e social. É uma barbaridade”, referiu Maria Silva.
A comunicação social foi impedida pelo departamento de comunicação da FBAUP de captar imagens e falar com os estudantes dentro do edifício.
O departamento de comunicação justificou a atitude dizendo que a associação de estudantes não teve autorização para realizar o protesto.
Maria Silva e outros estudantes afirmaram que têm feito “imensos protestos ao longo do ano” dentro e fora da faculdade, e “nunca tiveram problemas”.
“Nós não notificamos porque não temos de notificar, pois não estamos a destruir nenhum património da faculdade. Nós temos a legitimidade de nos manifestarmos sem prévia autorização. A universidade é pública”, reivindicou Maria Silva.
A associação de estudantes da FBAUP subscreveu ao apelo da Escola Superior de Educação e vai concentrar-se na quarta-feira junto ao mercado do Bolhão com outras associações de estudantes da academia do Porto, para "protestar e denunciar" estes problemas.