"Comigo na presidência não haveria banqueiros a mediar o orçamento” disse Manuel Alegre à comunicação social em Águeda, onde participou na inauguração da Biblioteca Municipal.
"Sou um deputado constituinte e há um princípio constitucional que é a independência do poder político em relação ao poder económico", salientou o candidato presidencial, acrescentando que espera que o Orçamento "seja decidido na Assembleia que é o lugar próprio e que a mediação não seja feita por poderes de facto, ou seja, por banqueiros".
Num jantar de apoiantes em Coimbra, que juntou mais de 400 pessoas, Manuel Alegre declarou que Portugal para além de precisar de consolidar as finanças públicas, necessita “de uma estratégia integrada de investimentos públicos, de novos estímulos para o crescimento, de novas políticas de emprego, do aproveitamento dos nossos recursos e do reforço das políticas de inovação e qualificação”, realçando que “não há outro caminho para nos libertarmos do ciclo vicioso do endividamento e da dependência”.
Alegre disse “estou aqui tal como sou” a pensar “no país e nas pessoas concretas que vão sofrer cortes e congelamentos” e criticou “alguns ex-ministros das Finanças”, “sempre os mesmos, sempre com as mesmas receitas – cortar, cortar, cortar, até acabarem por cortar a nossa paciência e a alegria de viver”, sublinhando que “é tempo de ouvir outras vozes, outros economistas, outros comentadores”, porque “as mesmas receitas do mesmo neo-liberalismo provocarão as mesmas causas que estiveram na origem da crise mundial”.
Considerando que “a próxima eleição é decisiva para o futuro político e democrático do país”, o candidato presidencial afirmou: “Estou aqui pelos valores de Abril”, “estou aqui contra a precariedade em que vive a nossa juventude”, “estou aqui por um Estado de Direito em que a justiça tem que funcionar doa a quem doer”, “estou aqui pelos 18 por cento de portugueses que vivem no limar da pobreza e que sem as prestações sociais subiriam para 40 por cento”, “as prestações sociais que alguns querem cortar”, acusou, “porque quando falam de cortes é nisso que estão a pensar.”
No final da intervenção, Manuel Alegre apelou à transformação da sua candidatura “numa grande dinâmica social capaz de criar a energia necessária para uma mudança e uma nova esperança para Portugal”.