Agências de rating aplaudem maioria absoluta do PS

01 de fevereiro 2022 - 18:57

Moody’s, Fitch e DBRS saúdam o reforço do "centrão" e o afastamento das medidas propostas pela esquerda, como o fim das medidas da troika nas leis laborais e no duplo corte aos pensionistas.

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Foto www.solvencyiiwire.com

Três das maiores agências de rating internacionais publicaram a sua reação ao resultado das eleições portuguesas e todas aplaudem a conquista da maioria absoluta por parte do PS. No entender da agência Fitch, ela veio afastar o que dizem ser os “riscos” orçamentais de algumas medidas propostas pela esquerda, como o fim do duplo corte aos pensionistas com o fator de sustentabilidade, ou a revogação das normas impostas pela troika na legislação laboral, que reduzem o rendimento de quem trabalha e contribuem para aproximar o salário médio do salário mínimo em Portugal.

As agências referem igualmente que um governo maioritário é “um bom augúrio” para a execução do Plano de Recuperação e Resiliência, a chamada “bazuca” europeia de fundos, acrescentando ser provável que o país receba este ano três mil milhões de euros de financiamento da União Europeia.

Com os elogios vêm também os avisos destas agências que classificam a dívida dos países, impedindo na prática o financiamento externo quando a classificam com o nível ‘lixo’. Para a Moody’s, “o potencial de crescimento de Portugal continua limitado pela rigidez estrutural nos mercados de trabalho e empresarial, ao mesmo tempo que o reduzido investimento e os baixos níveis de qualificação e inovação alargaram o diferencial de produtividade face aos concorrentes”. Esta agência diz esperar uma “dinâmica positiva” da dívida portuguesa para que seja anulado até 2024 o aumento da dívida relacionado com a pandemia.

Já a DBRS destaca não apenas a maioria absoluta, mas a recuperação eleitoral dos partidos do centro, ao notar que PS e PSD “obtiveram, no seu conjunto, 71% dos votos, uma melhoria em relação aos 64% de 2019”. No entender dessa agência, a “robustez” do centrão garantirá uma “abordagem pragmática à política macroecómica””.