Depois de uma campanha eleitoral marcada pelas sondagens a apontarem “empates técnicos” e pelos comentários acerca da bipolarização entre PS e PSD, o resultado das eleições deste domingo contrariou todas essas previsões. Ainda sem contar com os resultados dos círculos da emigração, que só serão conhecidos dentro de semanas, o PS ganhou em todos os círculos à exceção da Madeira e obteve 41,68% dos votos, a larga distância do PSD, que obteve 27,80%.
No seu discurso de vitória, António Costa afirmou que os portugueses “mostraram um cartão vermelho à crise política” e o seu “desejo de estabilidade e segurança”. Por seu lado, prometeu uma “maioria de diálogo” e promover “os consensos necessários na Assembleia da República e na concertação social”. E anunciou que nos próximos dias reunirá com todos os partidos, à exceção do Chega, e que formará um governo “mais curto, mais enxuto” com a missão de “reconciliar os portugueses com a ideia da maioria absoluta”.
A pressão do voto útil concentrou o voto da esquerda no PS e garantiu-lhe uma maioria absoluta no Parlamento, com a eleição de 117 deputados nos círculos do continente e ilhas. Bloco (4,46%) e PCP (4,39%) perderam votos e viram as suas bancadas parlamentares reduzidas, com os bloquistas a elegerem cinco deputados e os comunistas seis. O PEV, que sempre concorreu coligado com o PCP, não elegeu nenhum deputado. O Livre elegeu um deputado pelo círculo de Lisboa, tal como o PAN, que perde assim o seu grupo parlamentar.
A bancada do Bloco de Esquerda será composta por Catarina Martins e José Soeiro (eleitos pelo círculo do Porto), Mariana Mortágua e Pedro Filipe Soares (círculo de Lisboa) e Joana Mortágua (círculo de Setúbal). Na sua declaração sobre os resultados eleitorais deste domingo, Catarina Martins avaliou o resultado obtido pelo Bloco como “mau” e uma “derrota”, considerando que considerou que “a estratégia do PS de criar uma crise artificial foi bem sucedida”.
No PSD, Rui Rio assumiu a derrota e admitiu não ser capaz de argumentar a favor da sua utilidade à frente do partido no contexto de uma maioria absoluta do PS, abrindo a porta à sucessão na liderança. À sua direita, o Chega, com 7,15% dos votos, e a Iniciativa Liberal, com 4,98%, cresceram em votos e deputados, elegendo 12 e 8 deputados, respetivamente. Com 1,61% dos votos, o CDS fica pela primeira vez fora do Parlamento e o seu líder, Francisco Rodrigues dos Santos, anunciou a sua demissão da liderança do partido.