Helicópteros da força da NATO no Afeganistão (ISAF) intervieram este sábado para reprimir um ataque dos rebeldes a uma base da Aliança Atlântica no distrito de Nawzad, acabando por atingir duas habitações, explicaram os serviços governamentais em comunicado.
"Infelizmente, 14 civis inocentes - cinco raparigas, seis rapazes e duas mulheres - foram mortos e seis ficaram feridos - três rapazes, uma mulher e dois homens", prossegue o texto.
Por seu lado, o porta-voz da ISAF, Tim James, disse que a força internacional tem informações "segundo as quais civis poderão ter sido mortos num ataque aéreo", acrescentando que foi enviada para a região uma equipa de peritos para investigar o incidente.
As mortes de civis pelas forças estrangeiras é um dos grandes pontos de tensão entre Karzai e os aliados estrangeiros, e um dos principais motivos do falhanço das tentativas de conseguir o apoio da população afegã a uma guerra cada vez mais impopular.
Segundo dados da missão da UNO no Afeganistão, 2777 civis perderam a vida em 2010 (um aumento de 15 por cento face ao ano anterior) devido à violência que resulta dos conflitos entre aliados e rebeldes talibãs.
Karzai afirmou num comunicado oficial: “Já foi várias vezes repetido aos EUA e à NATO que as suas operações unilaterais e inúteis causam a morte de afegãos inocentes e que tais operações violam os valores humanos e morais. Mas parece que eles não ouvem”.
No mesmo texto, e “dirigindo um último aviso às tropas e responsáveis americanos”, o Presidente afegão qualificou “este incidente como um erro grave”.
No sábado, o líder afegão deu ordens ao Ministério da Defesa para assumir o controlo dos chamados “raides nocturnos”, dizendo que as forças afegãs devem assumir estas operações sensíveis.
Recentemente, um ataque da NATO, que matou quatro civis, desencadeou dois dias de violentas manifestações, a 18 e 19 de Maio, em Taloqan (nordeste do Afeganistão), das quais resultaram outros 17 mortos.