"Gostaria de pedir à NATO e aos Estados Unidos, com honra e humildade e sem arrogância, para cessarem completamente as operações no nosso país", afirmou Karzai, que nas últimas semanas se encontrou com cerca de 500 chefes tribais de todos os distritos da província.
No início de Março, o Presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, já tinha pedido ao comandante da NATO no país a “paragem da morte de civis”, considerando insuficientes as desculpas apresentadas após a morte de nove crianças, naquela semana, na região Leste. Na altura, as autoridades afegãs informaram que dez dias antes da morte das crianças a NATO tinha já morto 65 outros civis.
“Em nome do povo afegão, quero que parem com a morte de civis”, disse Karzai ao general norte-americano David Petraeus, durante um Conselho de Ministros a que assistiu o comandante da ISAF, a força da NATO no Afeganistão. “As vítimas civis são a principal causa da deterioração das relações entre o Afeganistão e os Estados Unidos”, acrescentou o Presidente, citado pela AFP. “Já chega e nem as desculpas nem as condenações suprimem a dor”, concluiu. Na véspera, Petraeus tinha apresentado desculpas pela “tragédia” e assumira a responsabilidade pelo sucedido.
Segundo o relatório anual conjunto da missão das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) e da Comissão Independente dos Direitos do Homem afegão, apresentado em conferência de imprensa, em Dari – Pashto, cerca de 2.777 civis morreram no Afeganistão em 2010, tendo este sido o ano mais mortífero para a população civil em nove anos de guerra entre as forças oficiais e os rebeldes talibãs.
O número de mortes de civis registado em 2010 representa um aumento de 15 por cento face a 2009 e é quatro vezes superior ao dos soldados das forças internacionais mortos em combate no mesmo ano.
A responsabilidade por setenta e cinco por cento das mortes de civis é atribuída às forças anti-governamentais, enquanto 440 mortes de civis são imputados às forças pro-governamentais. A ONU aponta como causa para 171 mortes os ataques aéreos das forças internacionais e afegãs, o que equivale a 39 por cento do total das mortes de civis ligados às forças pro-governo.