A manifestação nacional do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) juntou mais de mil trabalhadores em luta pela valorização das profissões e pela identificação das profissões de desgaste rápido. Sindicato já tinha entregue abaixo-assinado com 25 mil assinaturas ao primeiro-ministro.
Entre as principais reivindicações da manifestação estão a criação de um Suplemento de Insalubridade, Penosidade e Risco, que substitua o atual Suplemento de Penosidade e Insalubridade e que abranja mais trabalhadores, garantindo também a atualização do seu valor. Adicionalmente, o sindicato quer incluir nesse suplemento a redução do horário de trabalho, a redução do tempo de trabalho para efeito de aposentação/reforma e o acréscimo dos dias de férias e quer também aplicar o suplemento a todos os trabalhadores do setor empresarial.
Outra reivindicação central a esta manifestação é a identificação e regulamentação das profissões de desgaste rápido dentro da administração local e das empresas municipais e concessionárias.
Segundo o comunicado do STAL, “a natureza específica de funções que desempenham diariamente sujeita milhares de trabalhadores a forte pressão, desgaste emocional e/ou físico, ou a condições de trabalho adversas, o que contribuiu para deteriorar a sua saúde de uma forma mais rápida”.
Direitos
Trabalhadores industriais defendem reconhecimento de profissões de desgaste rápido
O Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Lisboa, que convocou a manifestação com o STAL, destaca como profissões de desgaste rápido os coveiros, eletricistas, bombeiros, calceteiros, e vários outros.
Tiago da Silva Carvalho, assistente operacional da Câmara Municipal de Lisboa na higiene urbana, falou ao Esquerda sobre o desgaste rápido da profissão. “Trabalho aqui há catorze anos. Já trabalhei de noite, já trabalhei de tarde, trabalhamos à chuva, ao frio, ao calor e é essencial termos o [estatuto de] desgaste rápido”.
Entre o esforço físico e as condições laborais, a profissão de Tiago deixa marcas. “Temos dor musculares, dor no corpo, dor nos joelhos, sofremos operações. Eu já fui operado ao pé, já fiz mazelas no joelho, já fiz fisioterapia”, diz o trabalhador. “Não podemos ficar aqui até aos 67 anos, não dá”.
“Foi uma grande manifestação da administração local”, confirmou o deputado bloquista José Soeiro, que reconheceu o desgaste das profissões. “Achamos que é muito justo e que é preciso valorizar estas carreiras, é preciso reconhecer este desgaste e é preciso também valorizar o suplemento de insalubridade e risco pelo qual estes trabalhadores estão a lutar”.