A UEFA fez saber esta quinta-feira que está a estudar a possibilidade de abertura de um processo disciplinar contra o Celtic depois dos adeptos do clube de futebol escocês terem realizado uma ação massiva de solidariedade com o povo palestiniano durante o jogo contra o Atlético de Madrid.
Nas bancadas do estádio do clube de Glasgow contavam-se por milhares as bandeiras da Palestina enquanto o tradicional cântico “you'll never walk alone”, nunca caminharás sozinho, era dedicado a este povo. Para além disso, gritou-se “liberdade para Gaza” e “parem os bombardeamentos”.
VIDEO | "People of Palestine, you’ll never walk alone"
(#Celtic - https://t.co/3XAly8jdqg / 25.10.2023) #FreePalestine #GreenBrigade pic.twitter.com/tP8vepSRWg
— Antifa_Ultras (@ultras_antifaa) October 25, 2023
A ação fora convocada pela Green Brigade, um grupo de adeptos fundado em 2006, que se descreve como anti-fascista, anti-racista e anti-sectário, e que assiste aos jogos na curva norte do estádio do seu clube.
Não é a primeira vez que os adeptos do Celtic demonstram publicamente solidariedade para com o povo palestiniano e a ser aplicada um multa também não será a primeira vez que tal acontece. Em 2016, num jogo contra a equipa israelita Hapoel Be’er Sheva, os adeptos do Celtic tinham também mostrado bandeiras da Palestina e o clube acabou por ser sancionado com uma multa no valor de 8.600 libras.
A Green Brigade, num comunicado datado de 10 de outubro, reitera a sua “crença inabalável” de os adeptos do futebol têm o “direito de expressar opiniões políticas nas bancadas, tal como os cidadãos comuns fazem em qualquer outra parte da sociedade”. De acordo com o grupo, “o futebol continua a ser uma das poucas áreas da vida pública na qual a classe trabalhadora tem uma agência política genuína”.
Para além da UEFA, também a direção do clube se tinha já oposto à exibição de bandeiras a favor da Palestina. A Green Brigade mantém um diferendo com esta direção que proibiu “centenas” adeptos associados ao grupo de assistirem a jogos fora de casa. De acordo com eles, isto acontece sem que recebam “nenhuma alegação ou qualquer detalhe sobre qualquer processo de investigação” e tem como motivação “um desejo de suprimir a expressão política” dos adeptos do Celtic “especificamente em relação à Palestina neste momento”.