Lutas

ACT considera que Easyjet violou lei em matéria de greve e avança com participação crime

19 de agosto 2024 - 11:18

Easyjet terá violado o Código do Trabalho durante greve de tripulantes em 2023, conclui ACT. Em causa está a deslocação de trabalhadores entre Lisboa, Faro e Porto para colmatar os impactos da greve convocada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil.

PARTILHAR
Avião da easyjet
Fotografia de Henry Burrows/Flickr

A Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) considerou que a Easyjet violou a lei durante a greve dos tripulantes, em julho de 2023, ao deslocar os trabalhadores entre diferentes bases para assegurar voos. Agora, a ACT avança com uma participação crime contra a empresa de aviação “low cost”.

O (SNPVAC) aguardava pelas conclusões da ACT há mais de meio ano. Ana Dias, representante do sindicato, explicou ao Jornal de Negócios que a companhia aérea “deslocou tripulantes de Faro para a operação em Lisboa, e de Lisboa para o Porto”, numa tentativa de minimizar os impactos da greve.

Ora, tal não é permitido de acordo com o artigo 535.º do Código do Trabalho, segundo o qual o empregador não pode, durante a greve, “substituir os grevistas por pessoas que, à data do aviso prévio, não trabalhavam no respetivo estabelecimento ou serviço nem pode, desde essa data, admitir trabalhadores para aquele fim”.

Lutas

Greve na Easyjet até sábado

15 de agosto 2024

A ACT já tinha avançado com procedimento contraordenacional por violação do Código de Trabalho, mas o Jornal de Negócios avança que foi recentemente efetuada uma participação crime ao Ministério Público. Por isso, o procedimento contraordenacional foi suspenso até haver resultado da participação-crime que corresponde ao mesmo processo.

A participação crime surge depois de ações de inspeção realizadas pela Autoridade para as Condições de Trabalho na sequência das denúncias vindas das partes envolvidas na greve.

O SNPVAC organizou a semana passada uma outra greve, entre 15 e 17 de agosto, acusando a empresa de aumentar o número de horas de trabalho em parte pela falta de pessoal. Nessa ocasião, no entanto, não há relatos ou denúncias de ter havido violação de lei por parte da Easyjet. O sindicato apontou uma adesão perto dos 100% e cerca de 93% dos voos cancelados.