Entrevistado na RTP3 na noite de quarta-feira, o líder do PSD/Açores e atual presidente do Governo Regional admitiu que o resultado das eleições, ao não lhe dar a maioria na Assembleia Legislativa Regional, exige conversações com os restantes partidos.
José Manuel Bolieiro voltou a apelar ao "sentido de responsabilidade" do PS pela "estabilidade", apesar de na anterior eleição o próprio Bolieiro não tenha permitido que o PS, enquanto partido mais votado, formasse governo. Bolieiro preferiu então assinar acordos com a IL e o Chega para dar início a um período de instabilidade política que resultou na queda do seu Governo pela mão desses aliados.
"Obviamente que não excluo nem o Chega, nem nenhum outro partido das conversações para, no quadro das políticas anuais, designadamente para planos e orçamentos, encontrar soluções", afirmou Bolieiro, abrindo assim a porta a novo entendimento com a extrema-direita. Para o líder do PSD/Açores, "o Chega tem uma nova responsabiidade porque cresceu e tem de ser elemento da solução e não do problema."
Por seu lado, o Chega/Açores tem feito saber que já desenvolve contactos "informais" com o PSD/Açores para concretizar aquele acordo, continuando a exigir estar presente no próximo executivo regional. Bolieiro disse à RTP que esses contactos não foram com ele nem passou procuração a ninguém para os fazer.
O desenlace deste processo pode não vir a ser conhecido antes da realização das eleições legislativas de 10 de março, com o calendário formal pós-eleitoral dos Açores a poder atirar para além dessa data a votação do programa de governo na Região.