Açores: Bloco elege um deputado, coligação de direita fica aquém da maioria

05 de fevereiro 2024 - 0:16

Coligação de direita venceu as eleições nos Açores sem maioria absoluta. Deputado bloquista António Lima promete continuar a fazer "a mais forte das oposições ao governo da direita".

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Mesa de voto em Ponta Delgada.
Mesa de voto em Ponta Delgada. Foto André Kosters/Lusa

Nas eleições legislativas regionais deste domingo na Região Autónoma dos Açores, a abstenção rondou os 50% e a lista mais votada foi a da coligação PSD/CDS/PPM (42,08%, 26 deputados), seguida do PS (35,91%, 23 deputados), Chega (9,19%, cinco deputados), Bloco de Esquerda (2,54%, um deputado), Iniciativa Liberal (2,15%, um deputado), PAN (1,65%, um deputado). Fora da Assembleia Regional ficaram a CDU (1,58%), Livre (0,64%), JPP (0,54%), ADN (0,33%) e a coligação MPT/Aliança (0%).

Com este resultado, a coligação que governava até agora os Açores continua a precisar de mais apoios para assegurar a maioria no Parlamento.

Na sua declaração na noite eleitoral, o coordenador do Bloco de Esquerda nos Açores agradeceu aos candidatos e aos eleitores que participaram nesta eleição e lembrou que na sua origem esteve "um plano da direita para provocar uma crise política artificial e chegar a eleições para se reforçar".

Da parte do Bloco, "reconhecemos o mau resultado: não atingimos o nosso objetivo, que era crescer", prosseguiu António Lima, sublinhando que a esse resultado "não é alheia a polarização para a qual as sondagens também contribuíram".

Com a manutenção da representação parlamentar assegurada no círculo de compensação, António Lima garantiu que "continuaremos a ser a mais forte das oposições ao Governo Regional de Direita" e a propor "um caminho diferente para os Açores, que é um caminho de progresso que este governo não trará".

Questionado pelos jornalistas sobre a ausência de resposta do líder dos socialistas açorianos, Vasco Cordeiro, ao seu repto durante a campanha para um compromisso político à esquerda  para uma viragem na governação dos Açores, António Lima respondeu que "essa abertura para o diálogo e de concretizar soluções à esquerda a seguir às eleições era fundamental para combater a coligação, a extrema-direita e a ideia de governo à direita, Esse apelo não foi correspondido, mas isso agora é passado, e estamos agora empenhados em construir o futuro".

Na sede nacional do partido, a coordenadora nacional bloquista Mariana Mortágua cumprimentou o Bloco/Açores e o deputado eleito António Lima, antes de sublinhar "o contexto difícil de uma crise política provocada pela direita que tem governado nos Açores".

Sobre o resultado do Bloco, Mariana Mortágua constatou que "não cumpriu o seu objetivo nesta eleição: não foi possível derrotar a direita nos Açores e não conseguiu manter o grupo parlamentar, apesar de se manter como a quarta força política da Região"

A coordenadora bloquista garantiu que o Bloco continuará a ser "a mais firme oposição ao governo da direita, que tem aumentado a pobreza, privilegiado interesses económicos e batido recordes no número de nomeações e distribuição de lugares".

Questionada pelos jornalistas sobre se haveria lições nacionais a retirar do resultado deste domingo, Mariana Mortágua respondeu que nos Açores já governava uma maioria de direita enquanto na República existe uma maioria absoluta socialistas. Diferenças que justificam que o Bloco nunca retire leituras nacionais de eleições regionais, o que até "seria uma ofensa á sua autonomia", concluiu.