Acontece na UE: Um Parlamento eleito que tem medo dos cidadãos

12 de outubro 2011 - 11:49

A polícia anti-motim belga e o serviço de segurança do Parlamento Europeu tentaram evitar que uma delegação do movimento “Indignados” presente em Bruxelas numa semana de activismo entrasse no edifício parlamentar, mesmo a convite de deputados.

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A polícia anti-motim cercou e bloqueou por completo o Parlamento, tratando os activistas “como criminosos”, sublinhou Willy Meier, eurodeputado do GUE/NGL. Foto Nelson Peralta.

Um grupo de representantes do movimento acabou por ser recebido numa sala requisitada pelo eurodeputado Willy Meier, do GUE/NGL, onde expôs a deputados de vários grupos os objectivos das suas acções e a quem convidou a participar na sua assembleia a decorrer na capital belga. A polícia  anti-motim cercou e bloqueou por completo o Parlamento, tratando os activistas “como criminosos”, sublinhou Willy Meier.

Depois das perseguições iniciais no fim de semana das autoridades de Bruxelas e da polícia às delegações de “Indignados” que continuam a chegar a Bruxelas um pouco de todo o mundo, as acções repressivas tinham acalmado porque os activistas decidiram aceder às exigências das autoridades de modo a não provocar situações que os desviassem dos seus objectivos.

Na tarde de terça-feira, a pretexto de uma visita de uma delegação de “Indignados” ao Parlamento Europeu, a convite de eurodeputados de vários grupos, as autoridades voltaram a recorrer ao aparato policial intimidatório perante o movimento. Por ordens do Parlamento Europeu, a polícia belga proibiu uma delegação de “Indignados” de se acreditar no Parlamento para poder participar numa reunião organizada pelo eurodeputado espanhol Willy Meier do grupo da Esquerda Unitária.

“Os serviços de segurança comportaram-se de uma maneira inaceitável para impedir os ‘Indignados’ de entrar e trataram-nos como criminosos apesar de se tratar de cidadãos comuns, pessoas de paz que vieram apresentar as suas preocupações”, disse Willy Meier. “Os serviços do Parlamento”, acrescentou, “sem qualquer justificação, tentaram mesmo negar o nosso direito de eurodeputados a convidar cidadãos para visitar a instituição, violando o artigo 1.3 das regras de segurança do Parlamento; por esta razão enviaremos uma queixa formar ao presidente”.

O elemento mais absurdo da situação terá sido o sinal de medo perante um movimento de cidadãos manifestado pelo Parlamento Europeu, o único órgão da União directamente eleito pelos cidadãos europeus.

Outros deputados da Esquerda Unitária participaram também na reunião com a delegação de activistas, escolhidos aleatoriamente na sua assembleia, por sorteio. Nikos Chountis, de nacionalidade grega, explicou que o grupo de sete pessoas apenas conseguiu entrar depois de uma grande demora, enquanto “o resto do grupo ficou frente a uma presença histérica de segurança para o impedir de entrar no edifício”. Lothar Bisky, presidente do GUE/NGL, o eurodeputado Paul Murphy e as eurodeputadas Sabine Losing e Gabi Zimmer estiveram igualmente presentes na reunião. “O que fizemos foi ceder uma sala, eles entraram, explicaram os objectivos do seu movimento e convidaram-nos a participar na sua assembleia”, explicou Willy Meier.

Todas estas peripécias, acrescentou o eurodeputado espanhol, representam “outro exemplo do estado raquítico dos valores democráticos e de cidadania na Europa de hoje”.


Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.