Trabalho

Accenture acusada de “tortura psicológica” a moderadores de conteúdos

16 de julho 2025 - 15:13

Estes trabalhadores recebem apenas “salários de miséria” da multinacional que embolsa milhares de milhões de milhões denuncia o CEPS que também fala em condições de trabalho insalubres e perseguição ao sindicato.

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Edifício da Accenture.
Edifício da Accenture. Por Michael Gray/Flickr.

O CESP, Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, acusa em comunicado, a Accenture de submeter os trabalhadores responsáveis pela moderação de conteúdos violentos e explícitos nas redes sociais a “tortura psicológica” e “salários de miséria”.

A multinacional é denunciada por esconder “um modelo de exploração brutal” que deixa centenas destes trabalhadores “sem proteção, sem apoio psicológico digno e com salários de miséria” ao mesmo tempo que se promove como a “melhor empresa para trabalhar”.

O sindicato esclarece que a empresa se recusa a reconhecer o “risco extremo” da atividade dos moderadores de conteúdos que estão sujeitos diariamente ao conteúdo tóxico que circula na Internet, esquivando-se assim a pagar subsídio de risco e a prestar apoio psicológico. Ao invés, providencia um serviço de “coaching” de 30 minutos por mês “sem qualquer acreditação clínica”, o que considera ser “uma farsa completa” que “em nada serve para mitigar o impacto devastador deste trabalho”.

Já sobre salários, adianta-se que face aos “turnos rotativos, stressantes e destruidores da vida pessoal” os salários são “vergonhosos” e estão “há anos” sem valorização, progressão ou sequer atualização do subsídio de alimentação.

Este panorama, junto com condições de trabalho que incluem “condições insalubres” e “ares condicionados avariados”, contrasta fortemente com os 64,9 mil milhões de dólares de lucros da Accenture em 2024.

A empresa, afirma-se, recusa reconhecer o CESP como representante dos trabalhadores, proíbe a entrada dos sindicalistas em vários edifícios e até impede “o direito de afixar pré-avisos de greve”, perseguindo “quem se organiza para defender condições de trabalho dignas”.

Por isso, os trabalhadores fizeram uma greve parcial entre 2 e 6 de junho de forma a expor esta “farsa global” pode ler-se no comunicado divulgado na passada quinta-feira.