O CESP, Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, acusa em comunicado, a Accenture de submeter os trabalhadores responsáveis pela moderação de conteúdos violentos e explícitos nas redes sociais a “tortura psicológica” e “salários de miséria”.
A multinacional é denunciada por esconder “um modelo de exploração brutal” que deixa centenas destes trabalhadores “sem proteção, sem apoio psicológico digno e com salários de miséria” ao mesmo tempo que se promove como a “melhor empresa para trabalhar”.
O sindicato esclarece que a empresa se recusa a reconhecer o “risco extremo” da atividade dos moderadores de conteúdos que estão sujeitos diariamente ao conteúdo tóxico que circula na Internet, esquivando-se assim a pagar subsídio de risco e a prestar apoio psicológico. Ao invés, providencia um serviço de “coaching” de 30 minutos por mês “sem qualquer acreditação clínica”, o que considera ser “uma farsa completa” que “em nada serve para mitigar o impacto devastador deste trabalho”.
Já sobre salários, adianta-se que face aos “turnos rotativos, stressantes e destruidores da vida pessoal” os salários são “vergonhosos” e estão “há anos” sem valorização, progressão ou sequer atualização do subsídio de alimentação.
Este panorama, junto com condições de trabalho que incluem “condições insalubres” e “ares condicionados avariados”, contrasta fortemente com os 64,9 mil milhões de dólares de lucros da Accenture em 2024.
A empresa, afirma-se, recusa reconhecer o CESP como representante dos trabalhadores, proíbe a entrada dos sindicalistas em vários edifícios e até impede “o direito de afixar pré-avisos de greve”, perseguindo “quem se organiza para defender condições de trabalho dignas”.
Por isso, os trabalhadores fizeram uma greve parcial entre 2 e 6 de junho de forma a expor esta “farsa global” pode ler-se no comunicado divulgado na passada quinta-feira.