Em comunicado, o núcleo da Europa do Bloco de Esquerda afirma que “a abstenção massiva de pessoas portuguesas residentes no estrangeiro nestas eleições revela uma democracia que falha com quem vive fora do país e exige uma resposta política clara”. Com níveis de participação abaixo dos 4% em países como Angola, França, Reino Unido ou EUA e uma abstenção de 95% entre os 1,8 milhões de eleitores recenseados no estrangeiro, esta é uma realidade que “não pode ser interpretada como desinteresse cívico”, afirmam.
Eleições
Portugueses no estrangeiro enfrentam “obstáculos graves ao direito de voto”
“Quando mais de 95% da nossa diáspora não participa, o problema não é apatia: é exclusão democrática”, prosseguem os bloquistas na Europa, referindo que as causas desta abstenção estão nas “opções políticas que levantam barreiras ao voto, em particular a inexistência de voto postal automático, obrigando milhares de eleitores a deslocações presenciais aos consulados, muitas vezes distantes, dispendiosas e incompatíveis com horários de trabalho”.
E a comparação com as últimas legislativas, em que houve a possibilidade do voto por correspondência, fala por si, tendo então votado cinco vezes mais pessoas do que nesta primeira volta das presidenciais. O Bloco de Esquerda Europa denuncia este bloqueio ao direito de voto e defende “uma mudança clara e responsável que reforce a participação democrática da diáspora portuguesa”, com a garantia do voto postal, o reforço da informação, acessibilidade e proximidade consular e o reconhecimento da diáspora como parte integrante da vida democrática portuguesa.