Abrir concurso para especialidade é essencial para os médicos não saírem do país

01 de março 2019 - 15:19

Catarina Martins visitou o Centro de Saúde de Alverca, onde há 30 mil utentes sem médico de família. A coordenadora do Bloco defendeu que é prioritário abrir um concurso extraordinário para a especialidade que forme mais médicos para ficarem no SNS e não saírem do país.

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Foto de Mário Cruz/Agência Lusa

O Bloco tem-se batido para que toda a população tenha acesso a médicos de família. Isto foi o que a coordenadora do Bloco foi lembrar na visita a um Centro de Saúde onde faltam ainda médicos de família para 30 mil utentes.

Em Alverca houve até uma melhoria: faltavam médicos de família a 30% dos utentes, agora faltam a 16%. Mas o Bloco quer mais, insistindo que “é preciso continuar a reforçar os médicos de família” e que nas várias especialidades estão também “a faltar médicos”.

Para além de faltarem já nesta altura médicos de família, “estamos num período em que previsivelmente muitos médicos se vão reformar”. Por isso, diz Catarina Martins, é preciso precaver o futuro.

E o problema continuará a agravar enquanto os médicos em início de carreira não tiverem condições. Questionada sobre as notícias que dão conta de que médicos portugueses estão a ser contratados noutros países com melhores condições, Catarina Martins considerou que “se nós não damos condições aos médicos que formamos em Portugal, é muito natural que eles vão para outros países.”

Essa seria assim mais uma razão para “abrir um concurso extraordinário este ano para dar acesso à especialidade de mais médicos”, o que é “um passo essencial para permitir que eles fiquem em Portugal”. Catarina Martins notou que no ano passado foram 700 os médicos que não tiveram acesso à formação da especialidade, ou seja os médicos que “deixámos sem depois conseguirem completar a sua formação”, um autêntico “convite a que estas pessoas vão para outro país”.

Mas o Bloco sabe que é preciso mais. Para além da abertura destes concursos, “é precisa a alteração na carreira”. Sobre isso, a dirigente do Bloco realçou que na Lei de Bases de Saúde que foi feita por João Semedo e António Arnaut, especificam-se “mecanismos de incentivo dos médicos para ficarem no Sistema Nacional de Saúde” e esclarece-se “a sua responsabilidade para com o SNS depois da sua formação”. O Bloco pensa que as questões da carreira dos profissionais de saúde têm implicações sérias em todo o Serviço Nacional de Saúde e, assim, é preciso tê-las em consideração na Lei de Bases da Saúde.

Esta lei está a ser, neste momento, discutida na especialidade no parlamento. E Catarina Martins considera que “é importante que estes trabalhos aconteçam a um ritmo elevado para garantirmos, em tempo útil, uma Lei de Bases da Saúde que seja forte e que possa proteger o SNS e dar-lhe mais capacidade”.