50 mil manifestantes em Budapeste em defesa de uma Europa social

09 de abril 2011 - 18:40

Cerca de 50 mil pessoas participaram, este sábado, numa manifestação em Budapeste, convocada pela Confederação Europeia de Sindicatos para protestar contra as políticas de austeridade e exigir uma Europa mais social.

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As medidas de austeridade, diz a Confederação Europeia de Sindicatos, devem ter como alvo os especuladores e não os trabalhadores e a Europa deve trabalhar para uma sociedade mais solidária para com os cidadãos. Foto Balazs Mohai/EPA/LUSA.

A manifestação com o lema "Não às políticas de austeridade, por uma Europa social, por um salário e emprego justos" coincidiu com uma reunião de ministros das Finanças dos 27 em Gödöllö, a nordeste de Budapeste e reuniu perto de 50 mil pessoas, segundo estimativas da polícia.

Na manifestação organizada pela Confederação Sindical Europeia (CES) participaram representantes de 45 confederações sindicais de 22 países europeus, incluindo Portugal (CGTP e UGT), e no final os líderes sindicais dirigiram-se aos manifestantes.

A mensagem dos representantes sindicais dos vários países incidiu sobre a necessidade de uma Europa mais social. Por sua vez, o secretário-geral da CES, John Monks, disse que "os trabalhadores não vão pagar os custos da crise" e pediu aos ministros reunidos em Gödöllö que criem empregos, crescimento e mantenham o sistema social europeu.

A Lusa falou com Mário David Soares, membro do Conselho Nacional da CGTP, que participou na manifestação, acompanhado por Ana Pires, da direcção nacional da Interjovem.

Mário David Soares disse esperar que esta manifestação alerte para a necessidade da Europa seguir um outro caminho porque a actual situação é insustentável. “Os sindicatos não se manifestam por serem contra pelo contra mas porque defendem outras soluções assentes no crescimento com sacrifícios repartidos, que aposte na qualidade do emprego e nas pessoas e que não mantenha o mesmo sistema causador da crise”, disse.

No seu manifesto que convocou o protesto em Budapeste, a CES refere que a crise não foi causada pelos trabalhadores e que as medidas de austeridade foram apenas tomadas para acalmar os mercados financeiros.

Estas medidas, adianta a confederação, devem ter como alvo os especuladores e não os trabalhadores e a Europa deve trabalhar para uma sociedade mais solidária para com os cidadãos.