Cerca de 300 mil pessoas manifestaram-se em várias cidades gregas esta sexta-feira, numa iniciativa convocada por familiares e amigos das vítimas do acidente ferroviário mais mortífero do país. No dia 28 de fevereiro de 2023, um comboio de passageiros colidiu de frente com um comboio de mercadorias que seguia na mesma via, causando a morte de 48 passageiros, sobretudo estudantes, e 11 funcionários dos caminhos de ferro.
Η απεργιακή διαδήλωση στη Θεσσαλονίκη ήταν τεράστια.
Ο κόσμος στρέφεται ενάντια στην κυβέρνηση σε ολόκληρη τη χώρα.
(Vid από fb Froso Varvara)#28Φλεβάρη #Τεμπη pic.twitter.com/ENXQy2HY5a— Chris Avramidis (@chris_avramidis) February 28, 2025
Aerial video from Thessaloniki’s protests. #Tempi #28_Φεβρουαριου #Δεν_Εχω_Οξυγονο pic.twitter.com/DOMkSY5NTS
— AthensLive (@AthensLiveGr) February 28, 2025
(imagens das manifestações em Atenas e Salónica)
Na véspera da manifestação foi conhecido o relatório da investigação ao acidente, que apontou para erro humano do chefe da estação que colocou os comboios na mesma via. Mas o relatório refere também que o sistema ferroviário está envelhecido e não dispõe de controlos de segurança modernos. Circunstâncias que aliadas à falta de pessoal e à má formação dos funcionários também são fatores que contribuíram para este acidente perto de Tempi, a 400 quilómetros de Atenas. Além disso, o relatório aponta para a “possível presença” de um “combustível desconhecido” que terá provocado a enorme explosão após o embate.
O governo de Kyriakos Mitsotakis ficou debaixo de fogo logo após o acidente, ao dar ordens para rapidamente fazer uma operação de limpeza que tornou impossível a recolha de provas para a investigação e até de alguns restos mortais. Familiares das vítimas organizações da sociedade civil e partidos da oposição acusaram o executivo de estar a encobrir as suas responsabilidades.
Esse sentimento persiste agora que o relatório foi conhecido, confirmando a negligência do Estado. A greve geral convocada para esta sexta-feira encerrou transportes públicos, escolas, serviços públicos e muitas lojas. A limitação à mobilidade não impediu 200 mil pessoas de desfilar pelo centro de Atenas até junto ao Parlamento, onde foram lidos os nomes das vítimas e cumprido um minuto de silêncio. Um silêncio que marcou também a maior parte da manifestação que terá sido das maiores realizadas na última década. Com balões negros e faixas com palavras de ordem contra o Governo, também se ouviram slogans como “Vocês contam os lucros, nós contamos vidas”.
No final do evento em Atenas, quando a maior parte dos manifestantes já tinham dispersado, registaram-se confrontos entre cerca de 700 jovens armados de pedras e cocktails molotov e a polícia antimotim. O Governo tinha anunciado o envio de cinco mil polícias para controlar a manifestação.