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3 de janeiro de 1960: “A mais espetacular e mais importante fuga das cadeias políticas do regime”

No episódio “Fuga das Prisões Políticas do Estado Novo”, da série História a história, Fernando Rosas lembra a fuga da prisão de Peniche, protagonizada por dez presos, entre os quais Álvaro Cunhal, Francisco Martins Rodrigues e Jaime Serra.

A Cadeia do Forte de Peniche foi entregue à PIDE em 1934 e aí se desenvolveu, de acordo com o historiador, “um regime prisional dos mais cruéis”: “um regime persecutório, vexatório para os presos, recorrendo frequentemente a castigos injustificados e provocatórios, perseguições às famílias, por vezes com agressões físicas”, o que fez com se desenvolvesse nesse estabelecimento, nos anos 50, 60, até aos anos 70, “grandes lutas dos presos e das suas famílias pela defesa dos seus direitos”.

Alvo de obras profundas em 1950, a penitenciária era considerada pelo regime como de alta segurança. “E é desta penitenciária de alta segurança que em janeiro de 1960 se vai dar a mais espetacular e a mais importante fuga das cadeias políticas do regime”, assinala Fernando Rosas.

O historiador deixa um relato desta fuga, cujo plano “andava a ser minuciosamente preparado” há mais de um ano. O PCP comprou dois carros de modelo americano para apoiar a fuga. O Partido assegurou também uma série de casas de apoio para os fugitivos. E conseguiu fazer entrar éter na cadeia para permitir neutralizar os guardas, preparando ainda o corte de comunicações do forte. Um dirigente do Partido Comunista, António Dias Lourenço, aliciou, entretanto, um guarda republicano, chamado José Alves, que habitualmente fazia de sentinela no perímetro de segurança externo do forte.

Desenho de Margarida Tengarrinha, onde pode ser visto o percurso da fuga

A fuga, que chegou a ser adiada por duas vezes, acabou por concretizar-se a 3 de janeiro, um domingo. Nesse dia não existiam pides no estabelecimento e nem serviços administrativos. Os presos neutralizaram o guarda prisional com éter, prenderam-no dentro de uma cela e retiraram-lhe as chaves. A fuga implicou, entre várias peripécias, a descida da muralha, com uma altura de cerca de 20 metros, recorrendo a uma corda de lençóis. Dois dos presos feriram-se, mas a fuga foi bem conseguida.

Eram dez os presos envolvidos na fuga: Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho.

É possível aceder aqui ao episódio “Fuga das Prisões Políticas do Estado Novo”, da série História a história. A fuga de Peniche é relatada a partir dos 11 minutos e 17 segundos.

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