O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho foi vaiado por centenas de pessoas este domingo durante uma visita à Feira do Queijo em Gouveia. Rodeado de forte esquema de segurança, que incluía guarda-costas e agentes da GNR, o primeiro-ministro ouviu um coro de apupos e vaias, e palavras de ordem como “O FMI não manda aqui”. Entre os manifestantes estavam membros da comissão de utentes contra as portagens nas auto-estradas e sindicalistas e trabalhadores da Peugeot-Citroen de Mangualde, que esta semana anunciou o despedimento de 350 trabalhadores.
O primeiro-ministro ainda tentou dirigir-se aos manifestantes, mas de todos os que chegou à fala só ouviu críticas e sentimentos de revolta.
“Está-me a doer muito ver a fome por que estão passando muitos portugueses. Eu estou muito revoltada”, disse uma manifestante, captada pelos microfones da TSF. Passos Coelho responde dizendo que garante “que até ao final deste ano o mais difícil estará feito para pôr o país a recuperar” (faltam dez meses para o fim do ano), mas a manifestante respondeu: “Temos idosos a morrerem de fome, acredite! Temos idosos sem abrigo!” E insistiu: “Estou muito revoltada!” Passos Coelho tentou dizer que tem reforçado os mecanismos de apoio social.
O ministro da Presidência, Miguel Relvas, não escapou aos insultos e apupos. “Ó Relvas, tem vergonha! Olhai para os jovens!”
A outra manifestante, disse: “Minha senhora, eu gostaria muito que todos os portugueses tivessem uma pensão digna”, sem explicar porque vem cortando justamente nas pensões.
À saída da feira, nova vaia dos manifestantes, que não tinham arredado pé.
Mais tarde, diante dos jornalistas, Passos tentou aparentar naturalidade, dizendo que “o primeiro-ministro tem de estar preparado para tudo”.