O abaixo-assinado subscrito por 162 professores e investigadores da Universidade de Coimbra foi entregue esta quinta-feira ao reitor Amílcar Falcão e pede-lhe que tome “todas as providências necessárias para que a voz da UC se junte a todos os que denunciam os crimes de guerra e contra a humanidade perpetrados em Gaza”, em nome da defesa de um “cessar-fogo imediato que permita a libertação de todos os reféns e a abertura de caminhos que permitam uma paz duradoura para os povos da região, incluindo o reconhecimento do Estado da Palestina”.
Os docentes querem que a Universidade de Coimbra siga o exemplo do Conselho de Reitores das Universidades Espanholas, que decidiu suspender os acordos de colaboração das 77 instituições de ensino superior com universidades e centros de investigação israelitas que não tenham expressado “um firme compromisso com a paz e o cumprimento do direito internacional humanitário”. Mas também de outras universidades europeias como o Trinity College (Irlanda), a Universidade de Bergen (Noruega), a Universidade Livre de Bruxelas ou a Universidade de Ghent (Bélgica), que adotaram posições no mesmo sentido. Por outro lado, defendem ainda que a Universidade de Coimbra deve “dinamizar todos os canais de cooperação universitária com a rede de ensino superior da Palestina”.
“Como docentes, investigadores e investigadoras da Universidade de Coimbra, expressamos a nossa solidariedade com o povo palestiniano e o nosso repúdio pelo genocídio em curso em Gaza”, vincam os subscritores, condenando a ação do Governo israelita de uma “defesa sem limites, na sequência da ação inqualificável de eliminação e de detenção como reféns de civis israelitas inocentes”, refere o abaixo-assinado citado pela agência Lusa.
Estudantes de Coimbra continuam acampados desde 21 de maio
A “Acampada Estudantil pelo Fim ao Genocídio em Curso na Palestina”, promovida por estudantes da Universidade de Coimbra, prossegue junto à entrada da Faculdade de Letras, com o objetivo de exigir um posicionamento claro da reitoria contra a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza e pelo fim de acordos com instituições israelitas.
Segundo disse à Lusa uma das estudantes que participam na acampada, Mariana Costa, este protesto começou quando perceberam que a universidade tinha projetos em parceria com instituições israelitas que “estão diretamente ligadas ao regime de ‘apartheid’ e ocupação”.
Apesar de o grupo já se ter encontrado por duas vezes com o reitor, dessas reuniões não saiu uma mudança de posição da universidade, pelo que algumas dezenas de estudantes continuam a participar diariamente nesta acampada, mesmo durante a época de exames e a Queima das Fitas, que terminou recentemente. Na terça-feira entregaram também um abaixo-assinado subscrito por 800 estudantes com as mesas reivindicações.
Os estudantes sublinham a incoerência da reitoria, que logo após o início da invasão da Ucrânia manifestou total solidariedade com o povo ucraniano e projetou as cores da sua bandeira na torre, enquanto no caso do genocídio na Palestina nada faz para afirmar a mesma solidariedade. “A reitoria resguarda-se, referindo o direito internacional e num posicionamento da União Europeia. Para nós, isso não serve de argumento”, afirma Mariana Costa.