“Crise tem sido pretexto para Governo fazer grandes negócios para os grupos privados”

09 de setembro 2013 - 18:07

À saída de uma reunião com o reitor da Universidade de Lisboa, João Semedo disse não existir nenhuma razão para privatizar os CTT e acusou o Governo de em nome da crise fazer negócios para os amigos dos grandes grupos económicos. Sobre o financiamento do ensino superior manifestou-se preocupado e apontou o dedo ao executivo de Passos Coelho por colocar em causa a “viabilidade do Ensino Superior”. Semedo anunciou ainda que o Bloco irá votar contra o OE'14.

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Na Foto: António Cruz Serra, Reitor da Universidade de Lisboa, João Semedo, candidato à Câmara de Lisboa e Ana Drago, candidata à Assembleia Municipal.

“Nós entrámos preocupados com o financiamento da universidade, do ensino superior. Entramos preocupados, saímos preocupados. Não é conhecido ainda o orçamento que as universidades vão dispor, mas o que nós conhecemos é que, nos últimos anos, o Governo tem vindo sempre a cortar no orçamento do ensino superior, a asfixiar, a estrangular o ensino superior”, acusou o coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo.

O também candidato à Câmara de Lisboa falava aos jornalistas na reitoria da Cidade Universitária, no final de uma reunião com António Cruz Serra, reitor da nova Universidade de Lisboa.

“Assim, não é possível um ensino de qualidade, assim não é possível que as universidades continuem a desenvolver e a ser aquele instrumento tão importante para o crescimento e desenvolvimento do país. As universidades são um instrumento para o futuro do país, por isso merecem o financiamento necessário ao cumprimento desse papel”, afirmou.

“Nós receamos que no próximo ano letivo a qualidade do ensino, a própria viabilidade do ano letivo possa estar comprometida por mais um corte no orçamento do ensino superior”.

“Há milhares de estudantes que abandonaram o ensino superior”

“Há hoje menos alunos no ensino superior em Portugal, isso não é bom. Os orçamentos estão ao nível do ano 2005/2006, o que demonstra um recuo enorme nas verbas que a a universidade tem vindo a dispor”, defendeu o candidato à Câmara de Lisboa.

"Os apoios sociais para quem não tem dinheiro para estudar e precisa do apoio do Estado para isso, têm sido sucessivamente cortados. Hoje há milhares de estudantes, que abandonaram as faculdades e os seus cursos, porque as famílias deixaram de ter dinheiro suficiente para custear esses estudos e o Estado cortou esses apoios”.

“Não há nenhuma razão para que o Estado privatize os CTT”

"Não há nenhuma razão para que o Estado privatize os CTT. São um serviço público importantíssimo para milhares e milhares de portugueses, é uma empresa pública que dá lucro nos últimos anos, em média 50 milhões de euros por ano", defendeu João Semedo.

Segundo a edição desta segunda-feira do Jornal de Negócios, o Governo espera privatizar os CTT por 600 milhões de euros e acredita que fecha a operação até ao final do ano, de acordo com as estimativas dos assessores financeiros da operação.

Para João Semedo, vender os CTT, uma "joia da coroa" de Portugal, pelo referido valor "não faz qualquer sentido". “É uma empresa pública que dá lucro, nos últimos anos em média 50 milhões de euros por ano”.

"A crise tem sido pretexto para o Governo cortar salários e pensões mas também fazer grandes negócios para os grupos privados", acusou.

Bloco votará contra o Orçamento de Estado para 2014

"Não nos parece que o terceiro OE de Pedro Passos Coelho vá ser diferente dos anteriores: vai ser mais austeridade, mais cortes, mais recessão, mais desemprego, mais dívida, mais desequilíbrio das contas públicas. Por tudo isso, provavelmente o Bloco de Esquerda, perante um orçamento desses, votará contra", disse o coordenador do bloquista.

João Semedo antecipa também a divulgação plena do Orçamento de Estado trará "mais argumentos" ao Bloco para sustentar o provável voto contra.

"Quando conhecermos o Orçamento de Estado iremos confirmar aquilo que presumimos que vamos fazer na votação: votar contra", declarou.