João Semedo apresentou programa para Lisboa

08 de setembro 2013 - 17:59

O candidato do Bloco à Câmara de Lisboa apresentou este sábado o programa eleitoral para a cidade e avisou os presentes que a viagem de Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque à troika visou preparar novos cortes já a seguir às eleições.

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Foto Paulete Matos.

João Semedo falou para candidatos e apoiantes que encheram as instalações do Lisbon Story Center no Terreiro do Paço. O candidato à vereação interveio após Fabian Figueiredo e Ana Drago terem explicado algumas das medidas e das prioridades da candidatura "Queremos Lisboa! + Habitada + Viva + Solidária". 

O coordenador bloquista começou por se referir à situação do país, avisando que "o Governo prepara mais cortes nos salários, pensões e reformas, mais cortes nos serviços públicos e nos apoios sociais". "Foi disto mesmo que Paulo Portas e a sua nova adjunta, Maria Luís Albuquerque, foram tratar no périplo que acabaram de fazer pela Europa e continua para a semana no FMI", afirmou Semedo.

"Paulo Portas trouxe na sua bagagem uma nova ameaça e uma nova chantagem: ou corto nas pensões e nas reformas e continuo a cortar nos rendimento dos portugueses, ou nós - troika - cortamos o cheque-troika para Portugal", prosseguiu o coordenador bloquista, acusando o Governo de ter substituído "a política pela chantagem, pela pressão, pela ameaça". 

"Tudo serve a Pedro Passos Coelho e Paulo Portas para imporem mais austeridade", acrescentou Semedo, destacando aqui a proposta do cheque-ensino, apresentada pelo Conselho de Ministros, e que para o Bloco "significa que todos os contribuintes passarão a pagar os colégios particulares daqueles que já têm dinheiro para os pagar".

"Aquilo que o Governo tem por alvo é o Estado Social, os serviços públicos. Numa primeira fase quer descaracterizá-los e limitá-los para a seguir os eliminar", prosseguiu o coordenador do Bloco, concluindo que "é esta política que temos de travar e é este governo que temos de derrubar. Aproveitemos o dia 29 de setembro para fazer uma coisa e a outra".

"Gestão de António Costa foi muita parra e pouca uva"

João Semedo dedicou a maior parte da intervenção ao programa para Lisboa e elencou os quatro pontos fundamentais em que considera que "a gestão de António Costa e do seu executivo falhou: não respondeu à situação social, nem a tempo nem com a energia necessária; a situação do parque habitacional não sofreu nenhuma evolução significativa; nos transportes limitou-se a ver se, em caso de privatização, seria uma nova fonte de receita para a Câmara; e por último, os serviços municipais continuaram envoltos em burocracia e lentidão". 

"A gestão de António Costa foi muita parra e pouca uva, tal como a oposição de António José Seguro muitas vezes é muita parra e pouca uva. Nisso, os dois socialistas são bastante parecidos um com o outro", declarou o candidato do Bloco à Câmara de Lisboa.

Para o futuro, Semedo defendeu que "a nossa primeira prioridade é responder ao drama social". O candidato bloquista à vereação em Lisboa considera que "as novas freguesias podem responder melhor e mais depressa, se se garantir que a Câmara consegue desconcentrar, descentralizar e transferir competências para as novas freguesias". 

No plano social, "se a situação já hoje é dramática poderá ficar muito pior em breve", alertou Semedo, referindo-se aos "40 mil inquilinos com contratos antigos, entregues à brutalidade da lei das rendas". A candidatura do Bloco defende que a Câmara deve aproveitar os fogos municipais desocupados para constituir uma bolsa de fogos municipais para inquilinos despejados, que seja uma primeira resposta à situação de fragilidade. "Não aceitamos mais sem-abrigo em Lisboa", concluiu Semedo.

Bolsa municipal de arrendamento e plano de reabilitação urbana

João Semedo fez o diagnóstico ao panorama da habitação em Lisboa e concluiu que "em seis anos não mudou: essa é a marca de António Costa". Após 29 de setembro, tentará que a força do Bloco na vereação consiga fazer a Câmara "intervir energicamente no mercado de arrendamento, caso contrário ele continuará a expulsar gente da cidade, em particular os jovens casais". 

Para isso, o programa propõe uma bolsa municipal de arrendamento, que puxe os preços de mercado para baixo e atraia mais gente para a cidade, mas também valorizar a reabilitação em detrimento da construção nova, com um plano dedicado a esse objetivo. "E quanto ao financiamento, está mesmo à frente dos nossos olhos: os fundos imobiliários que são os senhorios dos tempos modernos em Lisboa, não pagam IMI e mantêm dezenas de milhares de casas vazias, por ocupar", declarou Semedo, defendendo "uma taxa agressiva que penalize estes fundos imobiliários que deixam casas devolutas ano após ano".

No que respeita à política de transportes, a candidatura do Bloco faz o diagnóstico que "os transportes em Lisboa têm preços exorbitantes e os passes deixaram de estar disponíveis para tanta gente". Na apresentação do programa, João Semedo defendeu "uma empresa mista entre o Estado e a Câmara, com a responsabilidade de gerir os transportes em Lisboa de acordo com as nessidades dos lisboetas". 

João Semedo não deixou de se referir ao candidato do PSD/CDS, destacando que a "particularidade destas eleições é que o candidato da direita sabe que já perdeu as eleições". "Seara sente-se prejudicado nesta campanha e eu acho que ele tem razão: é prejudicado porque é o candidato do Governo e esteve sempre na primeira fila a aplaudir a austeridade de Passos Coelho e Paulo Portas".

O Bloco aposta na recuperação de um eleito na vereação da capital e Semedo manifesta-se confiante no eleitorado lisboeta para decidir se deve haver lugar para um vereador capaz de "fazer o que é difícil, o que conta, o que muda". "Queremos estar no executivo da Câmara de Lisboa para sermos a força capaz de desatar estes nós e estes bloqueios" que têm afetado uma gestão camarária constantemente sob pressão dos interesses imobiliários.