Segundo o Greek Reporter, Tsipras renovou as suas objecções ao último resgate à Grécia, no valor de 130 mil milhões de euros, e, apontando para o resgate à Espanha, que foi anunciado no passado fim de semana, defendeu que as políticas de austeridade europeias não conseguiram conter a propagação da crise.
"Se um dos 17 países [da zona euro] entrar em colapso... o fogo vai-se tornar incontrolável e não vai limitar-se à Grécia e aos países do sul ... vai acabar por se espalhar pela zona do euro, o que não será do interesse de ninguém ", avançou o líder da Syriza.
Questionado sobre o que vai acontecer se a União Europeia cortar o financiamento à Grécia, Alex Tsipras afirmou-se otimista, mas “preparado para qualquer possibilidade”. “Não estamos a ir para a batalha para perder", frisou.
O responsável da Syriza destacou ainda que quer que a Grécia permaneça no euro, acusando os especuladores de alimentarem o discurso de uma possível saída.
Referindo-se ao plano de financiamento delineado para Espanha, Tsipras afirmou que o governo espanhol negociou um acordo melhor do que a Grécia, contudo, apontou o dedo a Mariano Rajoy que, antes mesmos de pedir apoio financeiro, implementou inúmeras medidas de austeridade.
"A política de austeridade severa seguida pelo governo Rajoy, mesmo sem um memorando, aprofunda a crise", defendeu Alex Tsipras.
O líder da Syriza também voltou a frisar a sua intenção de nacionalizar o sistema bancário grego, que foi atingido por perdas acentuadas decorrentes da recente reestruturação da dívida da Grécia de 200 mil milhões de euros.
"Manter o sistema financeiro vivo através de um processo de nacionalização é uma necessidade nacional ", advogou, adiantando que, se a Syriza vencer, vai “avançar rapidamente para uma recapitalização dos bancos com acções ordinárias - o que chamamos de socialização do sistema bancário - colocá-los sob controlo público para que os depositantes gregos se sintam seguros".
Alex Tsipras afirmou ainda que existem cerca de 25 mil milhões de euros de depósitos bancários escondidos pelos depositantes gregos em casa - "em colchões" - e que esses fundos, se voltassem, poderiam fornecer um impulso para a liquidez dos bancos gregos.